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julho 22, 2004

Noites frias

Eu gosto de histórias que começam em noites frias. Essa começou há dois anos e resiste até hoje. Na verdade, começou antes, numa manhã de verão, dezembro, acho. Mas foi em julho, no final de semana mais frio daquele ano, que ela mudou de rumo. Foi um inverno bom, aquele. Um inverno de conversas, de falar francamente, de escutar bastante. (No frio, toma-se mais vinho, portanto fala-se mais abertamente, e mais verdades).

De lá pra cá, a história mudou de nome, de forma, ficou suspensa por um tempo, me deu raiva, me fez feliz, me deu raiva, me fez feliz. Hoje estou convivendo bem com ela, tranquilamente. É uma parte da minha vida que eu gosto, como meus pijamas, meus CDs, minhas canecas de chá, meus desenhos e até minhas loucurinhas.

Ontem eu tive uma noite fria deliciosa, regada a muitos crêpes, um pouquinho de vinho, papos e arpejos. Estou feliz. Mais aquecida.

agosto 28, 2004

fim de noite

eu não gosto mais dos sábados- pelo menos na configuração atual: aula de manhã, eventualmente de tarde, sono, muito sono e zero de disposição pra fazer qualquer coisa que não seja dormir. eu gosto de poder ir à feira de manhã, dormir mais um pouquinho de tarde e curtir a noite com mais pique.

anyway...tutu, diz que vai rolar mesmo a festinha lá em casa hoje e eu estou morrendo de preguiça de ir. pior: acabei de ter uma crisezinha de choro, tou descabelada, com uma roupa liiinda, nariz entupido, auto-estima lá no chão...

se eu parar de ouvir neil young melhora? se eu parar de fazer as apostas erradas melhora? se eu parar de pensar no meu salário magro melhora? se eu parar de pensar que nunca mais vou viajar melhora? se eu parar de pensar na história dos oito anos que eu não ouço certa frase melhora? se eu parar de lembrar de certas cenas melhora? se eu parar de querer vai melhorar? não sei mesmo.

outubro 3, 2004

é possível

- perder o fôlego
- dormir 12 horas
-
-
-

(trilha sonora pré-votação e orgias gastronômicas: Cesaria Evora canta Petit Pays)

outubro 4, 2004

Caio Fernando

Provaram um do outro no colo da manhã.


E eu vi que isso era bom.

outubro 20, 2004

essa noite eu voltei

a ter sonhos gostosos.

sonhei que eu tinha uma valise rosa. e dentro dela tinha uma máquina de costura. e eu andava por aí com uma saia florida bem comprida e botas de mary poppins.

e tinha um chão de terra molhada, muitas árvores e um varal cheio de panos brancos, lençóis talvez. e tinha pessoas que foram muito importantes na minha vida, que estavam voltando de uma longa viagem, e diziam ter saudades. um trio de mulheres que durante muitos anos foi minha segunda família. e agora estão soltas pelo Brasil, sem dar notícias, a não ser nesses sonhos.

a gente se abraçava e era quente.

novembro 8, 2004

dia desses

eu vou começar a escrever o que realmente importa: as histórias da Velha Verde, da Pequena Garota e todo o resto. dos fios de prata, dos esquilos e de todas as bocas costuradas. dos jardins cheios de muguets (me desculpem, eu não sei o nome dessa flor em português) e das estradas tão cheias de curvas e dos barquinhos feitos de bambu e quem sabe dos tamancos, se os pés não estiverem descalços.

novembro 9, 2004

deu meia-noite

e virei criança medrosa. a Velha Verde vem chegando, montada num de seus corcéis negros (o cavalo, não o carro), minha mão gelou e sinto que tudo, tudo mesmo, vai dar errado, hoje e forever.

pânico. como se eu nunca tivesse feito nada dessas coisas banais que eu tenho que fazer: assessoria de imprensa, trabalho acadêmico, pagar conta, achar duas meias pra calçar nos meus pés, etc. chá quente resolve? e Pijama Salvador? e sonho? e se eu sonhar (como na noite passada) que eu moro na ilha Porchat, tudo fica mais fácil?

novembro 11, 2004

quase meia-noite

e NÃO é hora de ficar triste porque as saias floridas foram aposentadas e os olhos cansaram e é isso mesmo, de novo.
vai, lidimes, concentra e escreve, pára de examinar a pinta nova, de descascar a pele da coxa direita, trocar o anel de dedos e transcrever as músicas que o Henri Salvador canta baixinho (ta robe à fleurs sous la pluie de novembre...).
e nem pense em contar os pingos da chuva.

(ainda tenho cinco páginas pra rechear. como dizia o Tim Maia, a noite vai ser longa. e estou com saudades da minha cama e do meu travesseiro, que deixei lá em casa)

novembro 30, 2004

de noite também

tem enxurrada de sonhos. acho que é por isso que acordo sempre tão amassada, afinal é deveras exaustivo passar por situações tão díspares e intensas numa noite só. ontem, por exemplo, sonhei que conhecia ruas perigosas, que era ameaçada de morte e mudava de casa e jogava baralho e tomava um tiro na cabeça e derretia, que passava por vários túneis até chegar à casa da cartomante, que andava de trem e chegava num prédio velho aonde Moço Querido tinha morado e eu me mudava pra lá, que organizava uma festa pra comemorar os armários da casa, que eu trocava de meias e cuidava de samambaias...ah, no meio disso tudo eu ganhei um brigadeiro com frutas cristalizadas, pra fazer a massa render mais, e ainda consegui pensar: que doce "suburbano", minha nossa.

(em tempo: eu reprovo o hábito de taxar as coisas de "suburbanas")

maio 6, 2005

entre 8hs e 8h40

ou seja, entre o momento em que meu despertador toca e o momento em que eu saio da cama, eu tenho os sonhos mais estranhos, mais tristes e desanimadores, angustiantes mesmo.

talvez seja a forma do meu subconsciente (ou do in, do super, do alter) me lembrar que eu deveria estar de pé. afinal, às 8h40 eu não deveria estar sofrendo na cama, e sim dentro do meu carro, rodando pela faria lima, vestida, semi-penteada e de café tomado.

o pior de tudo é que estou usando dois despertadores e ainda assim não levanto. se alguém souber de solução mais eficaz, por favor escreva. além de não querer mais ter esses sonhos, não quero mais chegar na firma atrasada e de estômago vazio.

fevereiro 2, 2008

a insônia

tem me obrigado a sonhar acordada.
todo dia, o dia todo.

fevereiro 21, 2008

ontem, à noite

pluie.jpg

eclipse.jpg

e entre a chuva e o eclipse assistimos Sangue Negro, que merece todos os Oscars a que está concorrendo (quer dizer, se estiver concorrendo com trilha sonora, melhor não ganhar porque achei um pouco bizarra demais)

PS: fala se esse zoom da minha câmera nova não é o máximo? as duas fotos eu tirei da janela da sala, que tem tela de proteção pra gatos, e ela nem apareceu! e esse túmulo do cemitério da consolação que aparece no canto direito da primeira foto, é o máximo!

março 12, 2008

pesadelo

Não sei como começou. Só sei que eu estava fazendo favores a um grupo, uma trupe de teatro. E todos estavam felizes porque eu era prestativa e competente e mesmo não sendo uma atriz eu podia substituir qualquer um dos atores (acho que tinha mais de um que estava doente). E a primeira vez que eu subi no palco foi ótima, não errei nada e agradei ao público. A trupe bateu palmas pra mim, nas coxias. Senti que todos ali gostavam de mim.

No dia seguinte, eu estava indo até o teatro e me dei conta de que tinha esquecido tudo: Quem eu deveria substituir mesmo? Quais eram minhas falas? E por mais que eu tentasse, não conseguia lembrar de nada. Caminhava até o teatro carregando esse branco na cabeça e uma baita angústia. No caminho, eu tropeçava muito, encontrava pessoas estranhas e fazia um esforço pra ficar conversando com elas e usar isso como desculpa para não ter ido ao teatro. Mas de repente eu recomeçava a andar, e quando cheguei perto do teatro e encontrei alguém da trupe, a pessoa percebeu pela minha cara que algo não estava bem. E eu, que tinha esquecido até como se chegava no camarim, pedi ajuda. E a pessoa se recusou a me mostrar o caminho. Quer dizer, ela saiu meio que correndo e eu tive que correr atrás dela, e me perdi muito, e no caminho topava com outros atores da trupe que me olhavam desconfiados. E eu tropeçava o tempo todo. E calçava umas botas que não eram minhas.

E quando eu finalmente cheguei no camarim, as roupas do personagem, que alguém jogou pra mim, custavam a entrar. Tudo me sufocava, tinha um cachecol que me apertava o pescoço e eu precisava tirar as botas pra calçar o sapato da velha, mas elas pareciam grudadas nos meus pés. A trupe me olhava feio e eu fazia um esforço enorme pra mostrar pra eles que estava tudo bem. Eu queria que eles confiassem em mim. Eu queria que eles me amassem. Eu queria subir no placo e agradar a platéia, de novo. Mas eu sufocava cada vez mais... Fiquei sem ar e acordei.

julho 23, 2008

hora extra

Entre dez da noite de ontem e uma da manhã de hoje, me ocupei fazendo pão – de alecrim com mel, que eu tinha visto aqui e estava paquerando havia semanas. E como eu não precisei ficar ao lado do pão o tempo todo, aproveitei os intervalos entre uma etapa e outra pra avançar no tricô: um gorro de lã mais grossa, usando a mesma receita do primeiro (quer dizer, com menos pontos, já que a lã é beeem mais grossa).

E essas horas extras valeram todos os minutos de sono que eu perdi: fiquei muito satisfeita com o pão e com o tricô.

Acho que de todos (atenção: estamos falando de dois ou três) pães que eu já fiz, esse ficou o mais cheiroso, bonito, macio e gostoso. Como eu coloquei uma colher de mel a mais do que a receita pedia, o pão ficou com um gostinho sutil de alecrim e mais acentuado de mel....então mesmo puro, o pão ficou sensacional.

paofatias.jpg

E o tricô? Bom, além de eu estar contente por não ter errado nenhum ponto até agora, parece que a minha escolha de tipo de lã, cor e destinatário foi muito acertada.

gorroda.jpg

agosto 11, 2008

tucanaram a gripe

há dias tenho me sentido totalmente sem energia, como se um trator tivesse passado por cima das minhas costas. minha vontade, que se acentuou quando a chuva finalmente chegou a são paulo, é de ficar o dia todo na cama. estou desanimada, mal humorada, espirro às vezes, tusso quando acordo, não consigo nadar...e esse quadro não evolui: não pioro nem melhoro. os dias passam e sigo com essa gripe tucana.

meu único consolo é a colcha nova que me aquece e conforta.

colchatrico.jpg

e parece que eu não fui a única a me apaixonar pelo presente da minha mãe.

zazatrico.jpg

(não deu pra fotografar a nina, mas ela também gostou).

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