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Primavera Archives

agosto 19, 2004

quer saber?

Hoje eu tou querendo desabafar, no meio da correria e do cansaço.

eu não aguento mais essa dupla jornada de trabalho. aliás, tá quase tripla. por exemplo, sábado às sete e meia da manhã, aonde eu vou estar? no carro, indo acompanhar um mutirão no campo limpo. e na hora do almoço? no lançamento de uma campanha no jardim ângela. e de tarde? escrevendo textos pro freela.
e domingo, eu descanso? nãããããão. eu escrevo.

eu também não aguento mais ficar criando broncas imaginárias que eu daria em --- se --- se dignasse a me ligar ou escrever. ontem à noite eu tentei encerrar essa história (tudo na minha cabeça, claro) imaginando que eu escreveria assim: eu não acredito em nenhuma das suas palavras. aliás, em nenhuma das letras que você digita. forrrrte hã? (eu deveria dormir em vez de pensar nessas besteiras todas).

eu também não aguento meu cabelo que anda cada dia mais rebelde, não aguento esse céu azul lá fora e eu trancada sem poder fazer uns cinco minutinhos de fotossíntese, não aguento todo mundo pedindo e ninguém me dando nada.

ai. tou chatésima hoje.

setembro 3, 2004

pra terminar

não é porque eu trabalho em ONG, flerto com o vegetarianismo, sou contra as armas, gosto de flores, participo de discussões sobre cultura de paz, sempre me tratei com homeopatia, gosto de cachoeiras e ainda ouço umas músicas pé no riacho que eu sou a "lidimes paz e amor".
portanto, não entendo como é que certos homens-cachorros-dilaceradores-de-corações insistem em me procurar, fazer piadinhas, dizer que estão com saudades e tentar marcar uma cervejinha descompromissada, acreditando que eu vou ceder, depois de todo o mal que me causaram (e nesse caso específico, o mal foi muuuuito grande, muuuito profundo e muuuito desnecessário).

setembro 8, 2004

todo cuidado é pouco

lidimes adverte: estou de TPM.

insuportável, praticando a arte da maledicência, com quedas de pressão e baixas no humor muito perigosas.

e não temo mais pegar em armas.

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setembro 11, 2004

saia florida

ganhei duas saias floridas hoje.
vesti uma delas agora, sentei aqui em busca de uma foto de flor de alcachofra e coloquei a música mais apropriada para o momento: Epitaph

Please don't leave me wanting more
I hope you never die
There's no need to say why
Just promise that you'll try
To give me all you can
I'll never ask for more
There's new life through the door
A cradle rocks and falls
As new fruit fills the tree
Cements the melody
To signify we're free
Our troubles passing

Through decaying, simple times
I'll tread your trail with pride
C'est maintenant decide
I've nothing better

Please don't leave me wanting more
I hope you never die
There's no need to say why
Just promise that you'll try

(os negritos são meus e têm tudo a ver com tudo, agora).

ah...passarinhos cantam...eu adoro o espírito da primavera.

dezembro 9, 2004

homens previsíveis

não, eu não fui vítima de mais um daqueles golpes masculinos. mas só de saber que isso aconteceu com uma pessoa muito querida, fico espumando de raiva.

março 11, 2005

finzinho- pra não esquecer

A raiva veio e foi embora, se afogou no fundo do rio. Um rio marrom, grosso, daquelas águas cheias de folha e barro. Caudaloso. Um afogamento caudaloso.
O medo tem ido pelo ralo, escorrendo aos poucos com os restos de xampu, alguns fios de cabelo, gotinhas de tinta- tonalizante laranja. Uma mistura que entupiria qualquer cano. Pode entupir, contanto que não atrapalhe a minha circulação.
Apesar dos três pedaços do beirute fartamente recheado, devorados com meio litro de suco de caju e um pirulito santa rita, me sinto leve. É sexta-feira, o vestido está branco ainda, e nem tudo me parece impossível.

maio 12, 2005

tou certa ou tou errada?

quando a gente manda um email de feliz aniversário e o aniversariante não responde nem um obrigado, é porque quer deixar claro que as relações não andam bem, não? eu penso assim. então entendi o recado. mas não vou me sentir culpada.

aliás, se for pra eu me sentir culpada por alguma coisa, é por levantar da cama pra desligar os despertadores e voltar sem vergonha nenhuma pro calor das cobertas, aonde permaneço por mais 30 minutos- ou seja, continuo chegando atrasada no trabalho.

(o título do post é uma homenagem ao sinhozinho malta, porque a vida é mais)

setembro 14, 2005

greve dos correios

alguém me explica como é que eu vou fazer pra cancelar minha linha de telefone, já que a única maneira de fazer isso é mandar uma CARTA para a Telefonica solicitando o cancelamento, explicando os motivos, bla bla bla? e pelo que me disseram ao telefone, a linha só é cortada cinco dias depois do recebimento da carta. se não vai ter carteiro pra levar meu pedido até a caixa postal da Telefonica, como é que fica a minha linha?

abril 24, 2006

é primavera

e antes que me corrijam, já aviso que eu sei que não é, é outono, minha estação preferida- pelas cores de roupas (mesmo que eu não as compre, gosto de ver os roxos e verdes e vinhos e mostardas), pelas folhas que amarelam em algumas árvores (o ginko da casa dos meus pais, por exemplo), pelos dias de céu azul e pela possibilidade de logo ser primavera. outono e inverno, pra mim, são como gripe (ou talvez seja o inverso, mas isso não altera o que eu vou dizer agora): a gente fica na concha mas sabe que é temporário, que logo volta a energia pra criar, a vontade de rir, a disposição pra nadar ou carregar a mochila pesada no ônbus, ignorando o peso e os comentários imbecis de outros passageiros (outro dia um tchongo de marca maior olhou bem feio pra mim e disse: essa mochila enorme atrapalha o ônibus inteiro....brincadeira hein?).
então é isso. nos últimos dias eu tive meu outono, que só passou depois de muitas horas dormidas, doses cavalares de vitamina c e uma mistura de fluimicil (um líquido fedido como ovo podre) e cloreto de sódio (NaCl, sal, sabe?) que eu inalava até ficar tontinha. quando percebi que a minha primavera chegou, fiquei tão eufórica e agitada que comecei a me mexer e fazer várias coisas ao mesmo tempo (comida, passarinho, foto, lavar roupa, arrumar quarto, etc etc e etc). algumas delas, assim que der eu posto aqui. outras ficam no fundo do meu coração...

junho 25, 2006

dominó

sábado passado estive no show da banda vexame, lá no sesc pompéia. em meio a samambaias e estátuas de leões, marisa orth (ou melhor, maralu) cantou e dançou junto com seus convidados. um deles, cido campos, apresentou este sucesso do verão de 1985, que naquela época era interpretado pelo grupo dominó:

Tô pê da vida
Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
E o mundo em volta da ferida
Em transes loucos, transas nossas
De mãos atadas vistas grossas
É muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
Tão pondo fogo no planeta
E quem não tá vira careta
A fina flor do preconceito
De cor, de raça, de sujeito
Isso tem jeito (2X)

We are the world lá nas paradas
E gerações desperdiçadas
Em tantas lutas sem sentido
Fecha as cortinas do passado
Mundo grilado, dolorido
Que se conforma

Tô pê da vida
Doces jogadas ensaiadas
Nas mesas das nações unidas
Azucrinando nossas vidas
Jogos de dados combinados
Dados marcados

Tô pê da vida
Mas não me sinto derrotado
Não tem gatilho, nem cruzado
Que vai me por nocauteado
A esperança é uma música
Canta essa música, nossa música, é nossa música...

Tô pê da vida
Olhando a gente tão pra baixo
Num baixo astral, num cambalacho
E muito pouco amor à vida

Tô pê da vida
Mas isso quase não é nada
Tem que enfrentar essa parada
E tem que por a mão na terra
Eu tô na guerra pela vida
Só pela vida
Viva a vida (2X)

e sabem de uma coisa? eu gostei da letra. juro.
é que tenho uma queda por tudo que é engajado. hehe.

outubro 14, 2006

un air de printemps

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abril 26, 2007

depender de máquinas

é um saco. digo isso pensando não só nas fotos que deixo de tirar, mas na crise de computadores que estou vivendo nesse momento.

é assim: na semana passada, a firma foi assaltada pela quarta vez. levaram quse todas as CPUs. ironicamente, a máquina da minha ex-estagiária, que estava saindo naquele dia, ficou, porque parece que os larápios foram impedidos de chegar à tomada por causa de um guarda-chuva enorme que estava ao lado e se abriu na cara deles. (sim, o guarda-chuva é meu, ou melhor, acho que é da minha mãe, ou talvez da ermã- um xadrez bege e verde, sabem?). enquanto o seguro não ressarce mais essa perda, ficamos todos meio perdidos, zanzando pelas mesas e tentando fazer outras atividades. no fundo, nem é tão ruim, porque temos tantas reuniões que mal dá pra sentir a falta do computador. mas naqueles dias em que você não marca nada justamente pra ter tempo de avançar no que está escrevendo, é terrível não poder ter uma máquina.

ontem, num desses momentos de desespero, sem nenhuma perspectiva de outra atividade possível, já que já tinha conseguido arrumar todas as minhas pastas (mesmo aquelas que foram melecadas por uma pera que deixei esmagar dentro da bolsa), comecei a discutir soluções para evitar novos furtos. uma delas seria colocar uma placa na frente da firma, pra mostrar pras pessoas que ali é uma ong- muito na linha das empresas que colocam avisos aos pichadores, pedindo para que não sujem as paredes já que a firma contribui com tal e tal entidade. pois então. somos uma entidade. trabalhamos por uma cidade e um país mais seguros, vamos diariamente às periferias, mas estamos instalados numa casa que parece uma agência de publicidade: um loft na vila madalena. parece que um dos policiais, sem saber o que fazemos, disse que é normal mesmo agências de publicidade serem vítimas desse tipo de crime. o problema é que não somos uma agência e não merecemos ser vítimas, perder as máquinas e ficar zanzando pela firma. aliás, pouca gente fica zanando, porque está trabalhando de casa.

eu, infelizmente, não me incluo entre esses sortudos, porque a crise dos computadores atingiu a nsosa casa. foi assim: de uma hora para a outra, o computador passou a levar 40 minutos pra ligar. certo dia, depois de 2 horas e meia de espera, percebemos que ele não ligaria mais. tentamos outros dias, e nada. ontem levei a CPU para um técnico. lá pelas 11 da noite, ele me liga com voz grave: tenho más notícias. a nossa suspeita de que era um problema de fonte não se confirmou, e ele acha que ou a placa mãe ou o processador queimaram. resultado: só teremos uma máquina funcionando em pelo menos uma semana. a boa notícia de que o hd não foi afetado me conforta um pouco, ou melhor, bastante, porque pela primeira vez na vida eu escrevi textos importantes e não fiz um backup. ou seja, está tudo lá, no computador que não liga. parece que vou tê-los em mãos hoje à noite e finalmente poderei dar prosseguimento ao que estou fazendo.

na verdade, já estou conseguindo seguir em frente. para minha sorte, a casa amarela tem um computador funcionando nos trinques, mais chocolate belga pors momentos em que o cérebro trava, ou bate o desespero: será que consigo terminar de editar os textos das ações policiais a tempo de rodar a publicação no prazo? hoje posso dizer que estou contente: avancei nos textos de inteligência policial e logo mais vou fazer os de perícia. mas se não fosse a crise, acho que eu estaria terminando os quase 10 de mediação de conflitos*, que me botam um medo danado (e dalhe chocolate!).

agora, nessa crise toda o que me faz mais falta é o davizinho, que ficou na nossa casa, sem computador nem telefone (sim, temos a crise do telefone também: um raio causou curto no aparelho), nem chocolate belga, nem músicas (como é chato ouvir a edlorado!) e, mais do que tudo: sem mim!

* pois é. ainda não sei se felizmente ou infelizmente, lidimes não faz só passarinhos nessa vida.

maio 18, 2007

a peça em si

depois do post sobre as peças que eu vesti para ir à avant-première beneficente ontem, gostaria de comentar sobre a peça. é assim: NÃO GOSTEI. o texto é ágil, a interpretação da bibi é ótima, juca também está muito bom, mas é peça pra leitor da Veja assistir e depois dizer: esse governo do PT é mesmo uma merda, só tem corrupto e ignorante-claro, porque tem desde piadas sobre o português do Lula até uma "confissão" (nós matamos nosso prefeito), passando por uma piadinha sem graça sobre o inimigo número 1 da Veja (ou talvez número 2, porque o 1 é o MST): o Chavez.
eu não sou uma ferrenha defensora do PT, nem do Chávez, e acho que corrupção e impunidade são dois problemas que deveriam começar a ser levados a sério nesse país, mas eu acho que o autor da peça e o diretor erraram a mão, e foi de propósito. uma coisa é criticar a corrupção, outra coisa é fazer uma peça toda sobre um senador petista, com piadas sobre o português do presidente, tiração de sarro do Suplicy e frases de efeito que sugerem que foi o PT que inaugurou a prática da corrupção no país. não me lembro de nenhuma peça sobre os escândalos do governo fhc, nem sobre o nosso querido acm, ou o mão santa, ou o sarney....e do daniel dantas, porque ninguém fala?
confesso que fiquei preocupada quando vi que meu chefe ria sem parar.

setembro 27, 2007

primavera chegou

e a temperatura caiu 20 graus de um dia para o outro.
com o vento, a sensação térmica é de oito graus. só dá pra sair de casa com muita blusa de lã, cachecol, gorro e luvas, como se fosse inverno.

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felizmente, aqui em casa a situação é outra: as flores abundam e dá pra dizer: é primavera.

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