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Andanças Archives

julho 16, 2004

Barão Geraldo

é pra lá que eu vou, em busca do tempo perdido. chega de me economizar, de ficar me dando em migalhas. eu não sou pão velho pra fazer isso, me esfarelar toda desse jeito.

julho 23, 2004

Passeando na Serrinha

Amanhã eu viajo para a Serrinha, perto de Penedo, numa região que eu amo.
Um dia eu vou morar nas montanhas, ah vou.

agosto 28, 2004

pobre de mim

estou tão sem dinheiro que tirei um cochilo hoje de tarde e comecei a sonhar que estava viajando...e aí no meu do meu passeio por umas ruas lindíssimas de um lugar bem ensolarado, eu disse pra mim mesma que eu não podia viajar porque não tinha dinheiro, abri os olhos e não dormi mais.

setembro 22, 2004

arca de noé

é assim: todos os lugares onde eu deito, sento, paro por uns minutos, viram barcos. o mundo está um grande oceano, não só nos meus sonhos (onde eu fico presa em ilhas de cores intensas e segredos perigosos). cheia de bichinhos e bibelôs e playmobis e pessoinhas sorridentes no desenho da saia e todo o resto das tranqueiras que eu carrego pra me revelar, tendo a achar que estou numa arca de noé.

ou será jangada?

o meu entorno flutua, e eu insisto na dureza pra não afundar.

será jangada? será a rota certa? porque navegar em vez de boiar?

novembro 12, 2004

estou com febre

o que é bem plausível depois da enxurrada que enfrentei esta tarde e da produção de quatro páginas de texto em menos de duas horas.

febre e espirros não me preocupam muito. mas estou sentindo a garganta ruim, o que pode significar dias e dias de cama, como sempre foi, desde quando eu era só a lila.

ai tia...eu queria viajar no feriado. fazer brigadeiro e torta de abobrinha com queijo, ver o rio turvo, pisar descalça na grama, rir de palhaçadas...tomara que eu fique boa até domingo, dia de embarcar levando comigo tupperwares cheios de alimentos e o arco-íris e o pote de ouro, que eu já prometi pra todo mundo.

janeiro 14, 2005

naquele lugar

os desejos não são ditos: eles aparecem escritos, são passados de mão em mão e nunca lidos em voz alta. sente-se os pés dos caminhantes pisando na estrada de terra, nas plantações de milho ou samambaia ou deslizando pelo asfalto molhado. ninguém tem fome, os beijos não são proibidos, há água em abundância, dos vestiários sai sempre um vapor de banho quente. na sala de espera do que parece ser um consultório, está o busto de uma mulher sem braço, com lábios carnudos, que fala muito, chora pouco e olha tensa para o sangue ao seu redor, para as ataduras de gaze, os esparadrapos e as comadres que se acumulam no chão, esperando uma enfermeira que possa limpar aquele lugar, que lhe traga de volta os braços e pernas, que faça estancar todo aquele sangue. a mulher mutilada olha às vezes para a rua, uma avenida de Recife por onde ônibus circulam freneticamente, ela gostaria de embarcar em algum deles, não importa o trajeto, ela gostaria de poder estender o braço para o ônibus parar, mostrar a palma da mão aberta e cheia de moedas para o cobrador, gostaria de ser inteira.

ela desvia o olhar para o boteco ao lado, as paredes verde água e os pedaços de carne espalhados em cima da mesa de sinuca, o balcão sendo lavado. ali, alguém ligou um rádio de pilha, ela não identifica a música, os sons são pouco familiares. naquele lugar de onde se vai até uma praça de Berlim e pega-se um avião para a China, de onde saem ônibus que passeiam por Porto Alegre e Strasbourg, onde os cachorros são mansos e há fontes em quase todas as esquinas, a mulher mutilada luta para não esquecer.

fevereiro 28, 2005

acabou comere

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cenas como esta não se repetirão mais. lidimes acaba de voltar do supermercado trazendo melão, cenoura, couve, maçã e presunto de peru light.

dieta já, este vai ser o meu lema.


(ai mas como era bom o bolo de aipim da padaria Guanabara....)

março 14, 2005

nóis sofre

mais nóis goza

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(fotos: Flavia Valsani)

abril 11, 2005

domingo no parque

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abril 15, 2005

com licença

estou indo ali fazer uma lista do que realmente importa e volto depois.

junho 3, 2005

próxima parada: parati

então daqui a um mês e pouco lidimes estará no festival literário.

estou tão animada!

(joãozinhoooo, madrid vai ter que esperar)

julho 12, 2005

de meias na praia

sim, eu fui à praia de meião- até os joelhos. estava frio, muito frio, por volta das nove horas da manhã de sábado na praia de jabaquara, ao lado de parati.

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sim, eu fui à flip. e foi bom, muito bom.

julho 24, 2005

é nóis na flip

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agosto 9, 2005

dois dias na praia

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e consegui amorenar um pouco minha tez leite-acinzentada. tirei os bolores da pele, misturei com queijo parmesão, pera e arroz e fiz um belo risoto de pera e gorgonzola. tomei vinho, suquinho, chá mate e batida de caju. no buraco, fiz duas canastras reais (sim, aquelas de ás a ás, que valem mil pontos) em um só jogo, depois vi o adversário me derrotar sem um pingo de dó. li um livro em espanhol, passei creme no cabelo, ouvi o "bloco do eu sozinho" e tive, a cada minuto, a certeza de que estou com o homem dos meus sonhos (mesmo quando, em sonho, ele joga lesminhas pretas nos meus pés).

agosto 25, 2005

bate o sino

pequenino, sino de belém.

(sim, esta é uma mensagem cifrada)

janeiro 8, 2006

minhas férias

hoje sobrou um tempinho pra gente organizar as fotos da viagem, então aproveito pra postar algumas aqui. esta primeira foi tirada na represa do broa, a 15 km de são carlos, e só de olhar pra ela me dá uma vontade de ter muitas oportunidades de ficar assim, deitada na canga, despreocupada com a vida.

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ainda no broa, uma foto do meu querido e rosado marujo:

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e aqui vão três tiradas na minha cachoeira predileta, a do astor:

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(não vou postar fotos da cachoeira porque já fiz isso em 2005)

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no astor, eu gosto tanto da cachoeira quanto do clima da fazenda- é uma construção antiga, sem frescuras, a lanchonete só oferece milho cozido, água e café, dá pra deitar em qualquer lugar gramado e dormir, fazer piquenique ou simplesmente fotografar as vacas, as árvores são lindas e vezemquando aparecem umas aves exóticas. nessa foto, estou na porta da lanchonete, admirando essa árvore centenária, espetacular.

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e pra terminar, uma foto da cachoeira de santo antonio, que tem água gelada e barrenta- delícia! essa cachoeira fica em lugar chamado recanto das cachoeiras, que tem mais estrutura (e gente) que o astor: piscina, um restaurante, mesinhas pra jogar buraco, mirante e até redes. ah, e duas avestruzes.

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abril 28, 2006

é hoje

que eu saio de férias.

maio 13, 2006

de buenos aires

ultimas horas na cidade linda grande e fria. (grande, grande, grande).
aqui fez sol todos os dias, o ceu esteve de um azul intenso, as arvores estao outonais e tiramos fotos muito bacanas, que logo mais estarao aqui.
por enquanto registro que:
-prefiro o sul ao norte
-nao consigo mesmo comer frango
-preciso voltar a estudar espanhol (ou melhor, quero)
-por mais linda que seja a cidade, ela fica sem charme se o davizinho nao esta comigo (ele pegou uma gripe mais forte que a minha)

bom, logo mais estamos no brasil.

eu tinha pensado num post tao interessante e denso e criativo, mas isso foi no meio de uma bebedeira e acabei esquecendo tudo o que queria escrever. incrivel como as coisas se perdem facilmente dentro de mim

maio 15, 2006

calle

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foto tirada em san telmo, onde nos hospedamos. já não tenho certeza se é da rua em que ficamos (eduardo finochetto) ou da peru, ou da bolivar, que cruzam a eduardo. só sei que foi tirada naquele que foi por uns dias o nosso cantinho. o ônibus estacionado indica o ponto final de uma linha cujos carros eram todos brancos e com o desenho de uma grande rosa vermelha. eram os colectivos mais feios da cidade, mas veja bem: o ônibus mais feio de buenos aires ainda é muito mais bonito que qualquer um de são paulo.

ah, que saudades que tenho de lá! ainda mais depois do que aconteceu por aqui. mas não quero falar de guerra, pânico ou sei lá o que, porque não acredito nisso. até poderia comentar do imbecil que ficou buzinando atrás de mim (durante a fuga em massa dos paulistanos para suas casas, às 16h30) até eu descer do carro e pedir pra ele parar (no que ele continuou buzinando e só respondeu: a buzina é minha). mas não quero falar sobre nada disso.
vou é tomar meu chá (de marca: duendes del prado. sabor: susurros). boa noite e boa sorte. logo mais tem mais fotos.

maio 19, 2006

caderno de viagem

nessa viagem que eu fiz, pensei em poucas coisas interessantes, tive poucos insights: havia uma cidade enorme pra desbravar, folhas de outono pra recolher (hoje mesmo achei um pedaço na minha mochila), o cheiro de roupa lavada de alguns bairros pra sentir...
mesmo assim, eu pensei em algumas coisas, às vezes sóbria, outras, depois de uma ou mais copas de malbec. dessas coisas que eu pensei, a mais intensa e importante foi perceber o quanto eu preciso me deixar perder mais. parar de andar tão grudada em mapas e querendo obedecer a roteiros feitos em outros tempos e lugares. perguntar mais, por mais que as respostas não levem para o lugar onde que quero chegar. é que cidades grandes, assim como a Vida, dão um medo danado na gente.
mas voltando ao título do post, no nosso primeiro dia na cidade, comprei um lindo caderno, não para registrar as minhas idéias (tirá-las de mim é um processo dolorido), mas pra fazer uma espécie de diário, com anotações dos lugares que visitamos, do que vimos....o caderno ainda não está terminado, parei no relato do terceiro dia, falta colar umas fotos pequenas que eu imprimi (dos azulejos de uma estação do metrô, das árvores, uma placa) e escrever tanto e colar outras coisinhas mais. quando ele estiver pronto, se eu tiver alguma coisa mostrável, coloco aqui.

e as idéias que eu tive durante a viagem não vão pro papel, ficam guardadas no meu labirinto.

janeiro 4, 2007

no cais

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fevereiro 22, 2007

terra encantada

voltei depois de dois anos. pouca coisa mudou: a estrada continua de terra, há poucas construções, o povo é gentil e hospitaleiro, as vacas mugem, o galo canta e dezenas de pássaros diferentes gorgeiam durante todo o dia. acho que só vi diferença no landulfo, que deixou de ser um bebê de colo, e na frente da pousada, que ganhou um laguinho. ah! e por ter ido em outra época (da outra vez fomos em dezembro), dessa vez senti a água das cachoeiras mais gelada e me encantei com a profusão de flores do campo- todas miudinhas e tão lindas, roxinhas, branquinhas, amarelinhas...

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abril 22, 2007

faz falta

ter uma máquina digital (boa) à mão. estive no Rio de mãos vazias e lamento não ter fotografado muitas coisas, dentre as quais destaco:
- a placa do Instituto Pello Menos - sim, um instituto de depilação (encravado?) na Lapa.
- uma lousa na frente de uma casa em Santa Teresa, que anunciava os serviços de explicadora - pelo que entendi, pois não estava muito bem explicado, é uma espécie de professora particular para alunos da 1a à 8a série.
- uma feira sem gritos, na Maré. impressionante como quando os feirantes não gritam, o movimento é outro. você passa pela feira e é como se ela nem estivesse lá.
- dezenas, quase centenas, de azulejos antigos espalhados pela Lapa e Santa Teresa.
- os Arcos da Lapa - foi minha primeira vez pertinho deles, dá pra acreditar?

junho 12, 2007

azul

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janeiro 31, 2008

Amazônia

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pois é, estive lá e nem contei aqui como foi.
olha, foi bom, mas um pouco mais estressante do que imaginávamos.
gostei menos de Manaus do que eu esperava, a cidade não tem nada a ver com a Manaus dos livros do Milton Hatoum. é decadente e sem charme, muitos lugares do centro parecem simplesmente um grande Largo da Batata. os bairros novos, de classe média, parecem qualquer bairro de qualquer cidade do interior de SP: com condomínios, Mc Donald´s e muitas escolas de inglês decoradas com colunas gregas.
acho que a coisa que mais gostamos de lá foi o capitão Antonio Vilhena, que vai ganhar um post só pra ele. também gostei do passeio nos furos do rio Negro, com muitos cheiros e sons.
foi em Manaus que provamos tacacá e pato no tucupi, antecipando a nossa exploração da gastronomia de Belém, que acabou não acontecendo, por motivos que já conto.
sobre os quatro dias num navio pelo rio Amazonas, o que posso dizer? foi lindo, e super desconfortável. se alguém quiser saber como é viajar pelo Amazonas numa rede, pode fazer viagens mais curtas, de Manaus a Santarém por exemplo, e depois seguir de avião até Belém.
na viagem de quatro dias, a paisagem muda muito, chove, chove, chove, faz sol, as noites são super escuras, às vezes o rio fica estreito, em outras, fica um mar, onde mal dá pra ver as margens. as pessoas e os tipos de casa que se vê nas margens também mudam, assim como os tipos de árvores. só o que não muda é a dor nas juntas, a dor nas costas, as poucas horas de sono e o enjôo que se segue a cada refeição (arroz, feijão, macarrão e uma carne, tudo bem frio...).

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bom, no nosso último dia no barco, dia 31 de dezembro, quando ele parou no porto de Breves (na Ilha de Mrajó), me empolguei com os vendedores de sorvete artesanal e comprei dois potes- um de cupuaçu e outro de abacate. claro que algumas horas depois comecei a me sentir mal e logo que deu meia-noite, pulei da rede e comecei o meu calvário: o piriri bateu forte, e continuou até chegarmos em Belém às cinco da manhã. nosso primeiro de janeiro foi passado na cama, com muita náusea e diversas idas ao banheiro.
Só no dia 02 começamos a explorar Belém, mas sem condições de comer nada além de bolachas cream cracker. e foi assim até o dia 03 à tarde, quando decidimos não ir pra Ilha do Marajó e antecipar a volta pra SP, já que a situação intestinal continuava crítica.
Do que eu vi de Belém, gostei de tudo. Só faltou ir ao mercado Ver-o-Peso, visitar a Ilha e provar todas as comidas. no aeroporto, ainda comprei um sorvete da marca mais famosa da cidade (Cairu), mas escolhi o sabor errado: murici, uma das coisas mais enjoativas que já provei.
enfim, foi bom, curto, e espero voltar algum dia....pelo menos pro Pará.

fevereiro 16, 2008

super afins

de passar o fim dessa tarde na praia.


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de preferência, no Rio.

abril 5, 2008

Lidimes no Reino

e eu fiquei muito honrada com a citação ao meu nome e a este humilde blog, lá no Reino Selvagem.

julho 1, 2008

escapada

ou: enquanto as férias não vêm....

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agosto 3, 2008

horas vagas

tricoto gorros

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(e já comecei outro, com lã roxa pra combinar com meus óculos)

faço pães

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(ficou gostoso, mas prefiro os escurinhos)

planejo as férias

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(muito merecidas)

agosto 12, 2008

madame

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sábado que vem, às 16hs, tem lançamento do livro A história rocambolesca de Madame Valesca na Bienal do Livro, Estande da Callis.

mais informações aqui .

setembro 29, 2008

de volta

saí de férias sem avisar e acabo de chegar. fiquei tão feliz de encontrar a família, as gatas e minha casa gostosa. uma felicidade comparável com a alegria de estar a caminho do aeroporto, com a mala cheia de roupas limpinhas e um mundo a desbravar.
voltei com muita roupa suja, vários presentes e quase 1500 fotos.
é bom estar aqui. tão bom quanto ir, é voltar.

outubro 6, 2008

das férias

desde que chegamos tenho pensando em como contar das férias aqui. por onde começar e como contar? começo por onde chegamos (Santiago) ou por algum assunto (lãs, ovelhas, comidas, falta de street art em Buenos Aires, kuchen)? até esbocei alguns posts, mas nenhum me agradou. então resolvi começar pelo meio, ou seja, a ilha de Chiloé.

Chiloé é a segunda maior ilha do Chile e fica a mais de 1100 km ao sul de Santiago. quando a gente começou a planejar a viagem, eu fiquei bem em dúvida se deveríamos ir pra lá. porque apesar dos guias ressaltarem as igrejinhas de madeira que são patrimônio cultural, as colônias de pinguins, a comida e a cultura locais, a paisagem que lembra o litoral irlandês, todas as fotos de Chiloé que eu encontrei mostravam um lugar cinza e chuvoso. mas como a gente gusta de lugares cinzas e chuvosos e de pinguins, decidimos seguir em frente. sorte nossa.

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os dois dias que passamos em Chiloé foram de sol e céu azul e reservaram muitas surpresas. a ilha é linda, uma terra encantada cheia de morros verdes, vacas e ovelhas fofinhas e flores amarelas com perfume de côco. o mar é de um azul....e mesmo na baixa temporada (no verão, chega a ter mais de 200 mil pinguins na colônia de Puñihuil) conseguimos ver pinguins.

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ficamos hspedados em Ancud, cidadezinha que fica à beira do mar. essa era a vista da nossa janela:

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também passamos por Castro, a capital, que fica em um fiorde. a melhor lembrança de Castro é a de um delicioso alomoço, onde comi papas de Chiloé (a espécie de batata mais antiga do Chile) com salmão super fresco pescado logo ali e uma deliciosa kuchen de framboesa. as fotos só não ficaram melhores porque tomamos uma garrafa de vinho branco e saímos do resturante trançando as pernas.

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e as igrejinhas de madeira? parece que existem cerca de 150 em toda a ilha, sendo que 16 ou 17 são patrimônio cultural da humanidade. a gente não se esforçou muita pra ir atrás delas, até passamos por uma na estrada, que estava fechada. e antes de pegar a balsa de volta ao continente, cruzamos outra.

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- para ver mais fotos de Chiloé (acho que tiramos umas 100), é só clicar no meu flickr aí do lado.
- o que são kuchens? aguardem novos posts.....

outubro 7, 2008

verde

pra trazer um pouco de esperança nessa segunda-feira tão cinza e gelada.

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fotos tiradas no bairro Bellavista, Santiago do Chile

novembro 1, 2008

à distância

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quando a gente é engolido pelo mundo (do trabalho), as coisas boas ficam tão longe que é como se nem tivesse mais espaço pra elas na memória.

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mas precisa ser assim? eu acho que não.
e vou lutar pra ser diferente.

novembro 10, 2008

voltar

Quando a gente foi pro Chile, o vôo pra Santiago fez escala em Buenos Aires. E sobrevoando a cidade, fiquei emocionada quando percebi que conseguia reconhecer, a quilômetros de distância, alguns lugares – ou pelo menos me localizar, saber em que direção estavam. Acho essa sensação tão boa, que até penso que é melhor do que desbravar um lugar novo: chegar num espaço familiar, conseguir se orientar a partir das lembranças e perceber o que mudou e o que ficou desde a última vez, na cidade e em mim mesma.

Naquela hora, a gente conversava sobre o destino do meu blog (a idéia era mudar o nome pra Tempo Livre), e eu logo imaginei que ao chegar a São Paulo o primeiro post seria sobre essa sensação: a de voltar para um lugar conhecido, reconhecer lugares e se perceber de outro jeito. O plano do post parecia tão concreto que eu até tirei algumas fotos aéreas da cidade pra ilustrá-lo. O texto, esboçado mentalmente, estava praticamente fechado; era só acrescentar um parágrafo sobre as impressões da cidade e pronto: Lidimes Conta, ou Tempo Livre, teria um interessante post sobre retornar a Buenos Aires sendo outra.

Uns dez dias depois, quando a gente pisou em Buenos Aires, eu já estava cansada da viagem, a cidade me pareceu bem menos interessante e pulsante do que da outra vez (os grafites foram apagados, os artistas estavam produzindo as mesma s coisas de dois anos atrás, e o preço do vinho tinha aumentado) e nem deu muito tempo de me analisar e perceber o que tinha mudado em mim nesses mais de 700 dias entre a primeira a segunda ida à cidade. Só consegui perceber que as mesmas botas que eu tinha usado pra circular pela cidade na primeira viagem já estavam muito gastas, desconfortáveis e fedidas, e acabaram abandonadas num cesto de lixo em San Telmo. (Outra coisa é certa: continuo insistindo em não pedir ajuda a estranhos, mesmo quando estou absolutamente perdida).

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E esse assunto de partir e voltar estaria enterrado, não fosse o que aconteceu hoje: eu voltei ao Jardim Ângela, e isso abriu um baú cheio de lembranças, e me ajudou a perceber onde fui, onde estou e para onde vou. Antes que qualquer leitor deste blog decida partir para o Jardim Ângela em uma viagem de auto-conhecimento, explico (um pouco): isso só foi possível porque eu já passei muitos dias ali a trabalho, depois diminuí, depois sumi, e hoje voltei, mais ou menos a trabalho. E como “trabalho” tem sido o ponto central da minha crise existencial nos últimos três (quatro?) anos, faz sentido uma relação entre a ida ao lugar de trabalho e apaziguamento da crise profissional, não? (bom, parecia fazer sentido quando comecei a escrever este post)

Mas enfim, crises à parte, fiquei feliz com o que vi. O Jardim Ângela de hoje é muito diferente do Jardim Ângela de 2001, quando pisei ali pela primeira vez. E até bem diferente do Jardim Ângela de julho do ano passado, data da minha última ida. O Estado está em muitos cantos: há terminais de ônibus, muitas escolas novas, ruas asfaltadas, muros de contenção, córregos canalizados, as ruas estão sinalizadas, tem CEU (ok, bem menor, porque é CEU do Kassab e não da Marta) e vai ter escola técnica, e a maioria dos comércios da M´Boi Mirim aderiu à lei Cidade Limpa (que eu sei que é lei e deveria ser respeitada por todos, mas não é o que acontece em muitos bairros da periferia). Tem problemas? Tem, um monte, mas claramente tem gente olhando pra eles e trazendo mudanças.

E com o coração em paz, feliz por mim e pelo Jardim Ângela, fui voltando à “cidade”. Mas quando passei pela Oscar Freire,caminho mais ou menos obrigatório para a minha casa, me dei conta de que alguns retornos, por mais que nos levem a lugares familiares, sempre serão estranhos demais.

maio 28, 2009

deu saudade daqui

saudade de ter tempo pra tricotar, costurar, rabiscar, inventar, sonhar.

e se digo que não tenho tempo...o que é que eu fiz com meu tempo? não sei.

vou voltar logo mais.

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