Barão Geraldo
é pra lá que eu vou, em busca do tempo perdido. chega de me economizar, de ficar me dando em migalhas. eu não sou pão velho pra fazer isso, me esfarelar toda desse jeito.
é pra lá que eu vou, em busca do tempo perdido. chega de me economizar, de ficar me dando em migalhas. eu não sou pão velho pra fazer isso, me esfarelar toda desse jeito.
Amanhã eu viajo para a Serrinha, perto de Penedo, numa região que eu amo.
Um dia eu vou morar nas montanhas, ah vou.
estou tão sem dinheiro que tirei um cochilo hoje de tarde e comecei a sonhar que estava viajando...e aí no meu do meu passeio por umas ruas lindíssimas de um lugar bem ensolarado, eu disse pra mim mesma que eu não podia viajar porque não tinha dinheiro, abri os olhos e não dormi mais.
é assim: todos os lugares onde eu deito, sento, paro por uns minutos, viram barcos. o mundo está um grande oceano, não só nos meus sonhos (onde eu fico presa em ilhas de cores intensas e segredos perigosos). cheia de bichinhos e bibelôs e playmobis e pessoinhas sorridentes no desenho da saia e todo o resto das tranqueiras que eu carrego pra me revelar, tendo a achar que estou numa arca de noé.
ou será jangada?
o meu entorno flutua, e eu insisto na dureza pra não afundar.
será jangada? será a rota certa? porque navegar em vez de boiar?
o que é bem plausível depois da enxurrada que enfrentei esta tarde e da produção de quatro páginas de texto em menos de duas horas.
febre e espirros não me preocupam muito. mas estou sentindo a garganta ruim, o que pode significar dias e dias de cama, como sempre foi, desde quando eu era só a lila.
ai tia...eu queria viajar no feriado. fazer brigadeiro e torta de abobrinha com queijo, ver o rio turvo, pisar descalça na grama, rir de palhaçadas...tomara que eu fique boa até domingo, dia de embarcar levando comigo tupperwares cheios de alimentos e o arco-íris e o pote de ouro, que eu já prometi pra todo mundo.
os desejos não são ditos: eles aparecem escritos, são passados de mão em mão e nunca lidos em voz alta. sente-se os pés dos caminhantes pisando na estrada de terra, nas plantações de milho ou samambaia ou deslizando pelo asfalto molhado. ninguém tem fome, os beijos não são proibidos, há água em abundância, dos vestiários sai sempre um vapor de banho quente. na sala de espera do que parece ser um consultório, está o busto de uma mulher sem braço, com lábios carnudos, que fala muito, chora pouco e olha tensa para o sangue ao seu redor, para as ataduras de gaze, os esparadrapos e as comadres que se acumulam no chão, esperando uma enfermeira que possa limpar aquele lugar, que lhe traga de volta os braços e pernas, que faça estancar todo aquele sangue. a mulher mutilada olha às vezes para a rua, uma avenida de Recife por onde ônibus circulam freneticamente, ela gostaria de embarcar em algum deles, não importa o trajeto, ela gostaria de poder estender o braço para o ônibus parar, mostrar a palma da mão aberta e cheia de moedas para o cobrador, gostaria de ser inteira.
ela desvia o olhar para o boteco ao lado, as paredes verde água e os pedaços de carne espalhados em cima da mesa de sinuca, o balcão sendo lavado. ali, alguém ligou um rádio de pilha, ela não identifica a música, os sons são pouco familiares. naquele lugar de onde se vai até uma praça de Berlim e pega-se um avião para a China, de onde saem ônibus que passeiam por Porto Alegre e Strasbourg, onde os cachorros são mansos e há fontes em quase todas as esquinas, a mulher mutilada luta para não esquecer.

cenas como esta não se repetirão mais. lidimes acaba de voltar do supermercado trazendo melão, cenoura, couve, maçã e presunto de peru light.
dieta já, este vai ser o meu lema.
(ai mas como era bom o bolo de aipim da padaria Guanabara....)
mais nóis goza


(fotos: Flavia Valsani)

estou indo ali fazer uma lista do que realmente importa e volto depois.
então daqui a um mês e pouco lidimes estará no festival literário.
estou tão animada!
(joãozinhoooo, madrid vai ter que esperar)
sim, eu fui à praia de meião- até os joelhos. estava frio, muito frio, por volta das nove horas da manhã de sábado na praia de jabaquara, ao lado de parati.

sim, eu fui à flip. e foi bom, muito bom.





e consegui amorenar um pouco minha tez leite-acinzentada. tirei os bolores da pele, misturei com queijo parmesão, pera e arroz e fiz um belo risoto de pera e gorgonzola. tomei vinho, suquinho, chá mate e batida de caju. no buraco, fiz duas canastras reais (sim, aquelas de ás a ás, que valem mil pontos) em um só jogo, depois vi o adversário me derrotar sem um pingo de dó. li um livro em espanhol, passei creme no cabelo, ouvi o "bloco do eu sozinho" e tive, a cada minuto, a certeza de que estou com o homem dos meus sonhos (mesmo quando, em sonho, ele joga lesminhas pretas nos meus pés).
pequenino, sino de belém.
(sim, esta é uma mensagem cifrada)
hoje sobrou um tempinho pra gente organizar as fotos da viagem, então aproveito pra postar algumas aqui. esta primeira foi tirada na represa do broa, a 15 km de são carlos, e só de olhar pra ela me dá uma vontade de ter muitas oportunidades de ficar assim, deitada na canga, despreocupada com a vida.

ainda no broa, uma foto do meu querido e rosado marujo:

e aqui vão três tiradas na minha cachoeira predileta, a do astor:

(não vou postar fotos da cachoeira porque já fiz isso em 2005)

no astor, eu gosto tanto da cachoeira quanto do clima da fazenda- é uma construção antiga, sem frescuras, a lanchonete só oferece milho cozido, água e café, dá pra deitar em qualquer lugar gramado e dormir, fazer piquenique ou simplesmente fotografar as vacas, as árvores são lindas e vezemquando aparecem umas aves exóticas. nessa foto, estou na porta da lanchonete, admirando essa árvore centenária, espetacular.

e pra terminar, uma foto da cachoeira de santo antonio, que tem água gelada e barrenta- delícia! essa cachoeira fica em lugar chamado recanto das cachoeiras, que tem mais estrutura (e gente) que o astor: piscina, um restaurante, mesinhas pra jogar buraco, mirante e até redes. ah, e duas avestruzes.

que eu saio de férias.
ultimas horas na cidade linda grande e fria. (grande, grande, grande).
aqui fez sol todos os dias, o ceu esteve de um azul intenso, as arvores estao outonais e tiramos fotos muito bacanas, que logo mais estarao aqui.
por enquanto registro que:
-prefiro o sul ao norte
-nao consigo mesmo comer frango
-preciso voltar a estudar espanhol (ou melhor, quero)
-por mais linda que seja a cidade, ela fica sem charme se o davizinho nao esta comigo (ele pegou uma gripe mais forte que a minha)
bom, logo mais estamos no brasil.
eu tinha pensado num post tao interessante e denso e criativo, mas isso foi no meio de uma bebedeira e acabei esquecendo tudo o que queria escrever. incrivel como as coisas se perdem facilmente dentro de mim

foto tirada em san telmo, onde nos hospedamos. já não tenho certeza se é da rua em que ficamos (eduardo finochetto) ou da peru, ou da bolivar, que cruzam a eduardo. só sei que foi tirada naquele que foi por uns dias o nosso cantinho. o ônibus estacionado indica o ponto final de uma linha cujos carros eram todos brancos e com o desenho de uma grande rosa vermelha. eram os colectivos mais feios da cidade, mas veja bem: o ônibus mais feio de buenos aires ainda é muito mais bonito que qualquer um de são paulo.
ah, que saudades que tenho de lá! ainda mais depois do que aconteceu por aqui. mas não quero falar de guerra, pânico ou sei lá o que, porque não acredito nisso. até poderia comentar do imbecil que ficou buzinando atrás de mim (durante a fuga em massa dos paulistanos para suas casas, às 16h30) até eu descer do carro e pedir pra ele parar (no que ele continuou buzinando e só respondeu: a buzina é minha). mas não quero falar sobre nada disso.
vou é tomar meu chá (de marca: duendes del prado. sabor: susurros). boa noite e boa sorte. logo mais tem mais fotos.
nessa viagem que eu fiz, pensei em poucas coisas interessantes, tive poucos insights: havia uma cidade enorme pra desbravar, folhas de outono pra recolher (hoje mesmo achei um pedaço na minha mochila), o cheiro de roupa lavada de alguns bairros pra sentir...
mesmo assim, eu pensei em algumas coisas, às vezes sóbria, outras, depois de uma ou mais copas de malbec. dessas coisas que eu pensei, a mais intensa e importante foi perceber o quanto eu preciso me deixar perder mais. parar de andar tão grudada em mapas e querendo obedecer a roteiros feitos em outros tempos e lugares. perguntar mais, por mais que as respostas não levem para o lugar onde que quero chegar. é que cidades grandes, assim como a Vida, dão um medo danado na gente.
mas voltando ao título do post, no nosso primeiro dia na cidade, comprei um lindo caderno, não para registrar as minhas idéias (tirá-las de mim é um processo dolorido), mas pra fazer uma espécie de diário, com anotações dos lugares que visitamos, do que vimos....o caderno ainda não está terminado, parei no relato do terceiro dia, falta colar umas fotos pequenas que eu imprimi (dos azulejos de uma estação do metrô, das árvores, uma placa) e escrever tanto e colar outras coisinhas mais. quando ele estiver pronto, se eu tiver alguma coisa mostrável, coloco aqui.
e as idéias que eu tive durante a viagem não vão pro papel, ficam guardadas no meu labirinto.


voltei depois de dois anos. pouca coisa mudou: a estrada continua de terra, há poucas construções, o povo é gentil e hospitaleiro, as vacas mugem, o galo canta e dezenas de pássaros diferentes gorgeiam durante todo o dia. acho que só vi diferença no landulfo, que deixou de ser um bebê de colo, e na frente da pousada, que ganhou um laguinho. ah! e por ter ido em outra época (da outra vez fomos em dezembro), dessa vez senti a água das cachoeiras mais gelada e me encantei com a profusão de flores do campo- todas miudinhas e tão lindas, roxinhas, branquinhas, amarelinhas...








ter uma máquina digital (boa) à mão. estive no Rio de mãos vazias e lamento não ter fotografado muitas coisas, dentre as quais destaco:
- a placa do Instituto Pello Menos - sim, um instituto de depilação (encravado?) na Lapa.
- uma lousa na frente de uma casa em Santa Teresa, que anunciava os serviços de explicadora - pelo que entendi, pois não estava muito bem explicado, é uma espécie de professora particular para alunos da 1a à 8a série.
- uma feira sem gritos, na Maré. impressionante como quando os feirantes não gritam, o movimento é outro. você passa pela feira e é como se ela nem estivesse lá.
- dezenas, quase centenas, de azulejos antigos espalhados pela Lapa e Santa Teresa.
- os Arcos da Lapa - foi minha primeira vez pertinho deles, dá pra acreditar?





pois é, estive lá e nem contei aqui como foi.
olha, foi bom, mas um pouco mais estressante do que imaginávamos.
gostei menos de Manaus do que eu esperava, a cidade não tem nada a ver com a Manaus dos livros do Milton Hatoum. é decadente e sem charme, muitos lugares do centro parecem simplesmente um grande Largo da Batata. os bairros novos, de classe média, parecem qualquer bairro de qualquer cidade do interior de SP: com condomínios, Mc Donald´s e muitas escolas de inglês decoradas com colunas gregas.
acho que a coisa que mais gostamos de lá foi o capitão Antonio Vilhena, que vai ganhar um post só pra ele. também gostei do passeio nos furos do rio Negro, com muitos cheiros e sons.
foi em Manaus que provamos tacacá e pato no tucupi, antecipando a nossa exploração da gastronomia de Belém, que acabou não acontecendo, por motivos que já conto.
sobre os quatro dias num navio pelo rio Amazonas, o que posso dizer? foi lindo, e super desconfortável. se alguém quiser saber como é viajar pelo Amazonas numa rede, pode fazer viagens mais curtas, de Manaus a Santarém por exemplo, e depois seguir de avião até Belém.
na viagem de quatro dias, a paisagem muda muito, chove, chove, chove, faz sol, as noites são super escuras, às vezes o rio fica estreito, em outras, fica um mar, onde mal dá pra ver as margens. as pessoas e os tipos de casa que se vê nas margens também mudam, assim como os tipos de árvores. só o que não muda é a dor nas juntas, a dor nas costas, as poucas horas de sono e o enjôo que se segue a cada refeição (arroz, feijão, macarrão e uma carne, tudo bem frio...).

bom, no nosso último dia no barco, dia 31 de dezembro, quando ele parou no porto de Breves (na Ilha de Mrajó), me empolguei com os vendedores de sorvete artesanal e comprei dois potes- um de cupuaçu e outro de abacate. claro que algumas horas depois comecei a me sentir mal e logo que deu meia-noite, pulei da rede e comecei o meu calvário: o piriri bateu forte, e continuou até chegarmos em Belém às cinco da manhã. nosso primeiro de janeiro foi passado na cama, com muita náusea e diversas idas ao banheiro.
Só no dia 02 começamos a explorar Belém, mas sem condições de comer nada além de bolachas cream cracker. e foi assim até o dia 03 à tarde, quando decidimos não ir pra Ilha do Marajó e antecipar a volta pra SP, já que a situação intestinal continuava crítica.
Do que eu vi de Belém, gostei de tudo. Só faltou ir ao mercado Ver-o-Peso, visitar a Ilha e provar todas as comidas. no aeroporto, ainda comprei um sorvete da marca mais famosa da cidade (Cairu), mas escolhi o sabor errado: murici, uma das coisas mais enjoativas que já provei.
enfim, foi bom, curto, e espero voltar algum dia....pelo menos pro Pará.
de passar o fim dessa tarde na praia.

de preferência, no Rio.
e eu fiquei muito honrada com a citação ao meu nome e a este humilde blog, lá no Reino Selvagem.
ou: enquanto as férias não vêm....



tricoto gorros

(e já comecei outro, com lã roxa pra combinar com meus óculos)
faço pães

(ficou gostoso, mas prefiro os escurinhos)
planejo as férias

(muito merecidas)

sábado que vem, às 16hs, tem lançamento do livro A história rocambolesca de Madame Valesca na Bienal do Livro, Estande da Callis.
mais informações aqui .
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