Adoro comida indiana. Diria até que é meu tipo de comida favorito. Mas por falta de tempo, dinheiro para gastar em restaurantes e livros para executar as receitas em casa, acabava comendo bem menos pratos indianos do que gostaria.
Mas isso começou a mudar na tarde mágica de um sábado em que, por volta das duas horas, comentei que queria muito comprar um livro de receitas indianas e lá pelos cinco, dei de cara com a materialização do meu desejo na Bienal do Livro: a Larousse estava lançando a coleção Cozinha das Famílias, livros temáticos em que uma autêntica família (indiana, marroquina, mexicana etc) revela seus hábitos alimentares e receitas preferidas. E eu, que sou desconfiada com esse tipo de coleção (ainda mais depois das minhas experiências com os livros de receitas da Folha), fiquei um pouco receosa com esta, mas foi só folhear o livro que me apaixonei: a diagramação é super bacana, a maioria das receitas tem foto e é bem simples de fazer. Tirando um ou outro erro de tradução (a edição original é francesa), em cinco minutos eu decidi que levaria o livro pra casa (aliás, poderia até ter levado sem pagar, porque o atendimento nos caixas era super desorganizado). Passei as horas seguintes devorando cada página e comentando animada (e repetidamente, o que deve ter cansado meu interlocutor: não é lindo? Não é o máximo? Não é lindo? Não é o máximo?)
E no dia seguinte, dia de feira, comprei vários ingredientes, decidida a fazer algumas receitas ainda naquela semana: berinjela, espinafre, coco e pimenta malagueta - esta, adquirida pela primeira vez! (aliás, eu acho que até aquele domingo, u não fazia idéia de como era uma pimenta malagueta...tão pequena!) A minha intenção era fazer um caviar de berinjelas, bolinhos (koftas) de espinafre e chutney de coco, só “pra começar”. E se eu tivesse tempo, faria um dahl de grão de bico.....
Claro que meu entusiasmo foi maior do que minha capacidade de execução (bastante limitada pelos fatores tempo e preguiça) e acabei fazendo só o caviar de berinjelas (baingan kâ caviar). O espinafre foi cozido e virou panqueca (com curry, pra dar um toque indiano) e o coco, coitado, ficou duas semanas na geladeira até adquirir o pior dos cheiros. Ah, e a pimenta malagueta foi devidamente incorporada à receita de caviar. E, combinada a um tantão de gengibre, cominho, coentro e nem lembro mais o que, transformou um prato suave em um prato ultra picante e, ouso dizer, “incomível”! A solução, para garantir que o tal baingan kâ caviar fosse icorporado às marmitas do casal, foi adicionar duas berinjelas cozidas, o que amenizou um pouco o picante. Eu até pensei em acrescentar creme de leite, mas aí seria deturpar muito o espírito indiano e fugir descaradmente da minha dieta. Então coloquei a berinjela e misturei com arroz sem tempero, carne sem tempero, pra ver se a picância ficaria repartida entre todos (até deu certo!).
Enfim, depois de tantas lições aprendidas (adicione menos temperos e procure adequá-los ao seu gosto; a pimenta malagueta, mesmo tão pequena, é ardida; nunca pique uma pimenta e depois coce o olho), deixei o livro descansando na sala por uns dias (enquanto o coco ralado apodrecia na geladeira).
E no último sábado, a temperatura caiu e voltou a vontade de ficar em casa, cozinhar pra família e os amigos e etc, e por isso decidi fazer uma sopa. Lembrei imediatamente de uma receita super simples, fácil, deliciosa e.....indiana. A receita eu achei neste blog e já tinha testado no ano passado, quando comemorei a minha libertação da pós-graduação. Dessa vez, acho até que ela ficou melhor. O único porém é que ela fica com uma cor tão....sem graça. E eu ainda resolvi fotografá-la sobre uma toalha da mesma cor....então essa foto não está sendo fiel à maravilha de sopa que ela é.

Mas essa foto aqui acho que dá mais conta do recado: mostra o amarelo da curcuma quando a sopa estava sendo feita...e o verde da couve-flor, e o vivo dos grãos......

A receita eu postei lá no Panelinha. (adaptada do blog da Scally)