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Inverno Archives

julho 13, 2004

Somewhere else

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Fico angustiada quando as coisas não fazem sentido nenhum. E sofro muito quando elas começam a fazer, porque é tão grande o sentimento de conexão com o universo inteiro que isso me sufoca. É um bliss que eleva e aperta. É um gozo.

Sexta-feira, feriado, muita coisa fez muito sentido. Muitas pessoas, daqui ou de lá, a comunidade, a minha presença, as línguas que eu falei e mesmo as doses de Maria Mole que acabei tomando num boteco de esquina entre a casa e o campinho de futebol.

Mas a verdade é que eu estava ali porque não estava suportando outros sentidos que descobri ultimamente (uma pele que cola na minha, um cheiro que combina com o meu, dois olhos nos quais eu tenho vontade de mergulhar porque apesar das máscaras eu vejo neles pureza) e, mais ainda, porque tudo isso ficou distante. E eu simplesmente não suporto isso.

agosto 1, 2004

Mente sem lembranças

Eu fiz uma brincadeirinha com a minha pobre mente: coloquei o sabonete que eu tinha comprado pra --- na pia do meu banheiro. E aí metade da minha casa ficou com cheiro de centro cirúrgico (do sabonete) e de manhãs regadas a beijos e banhos dançantes (memória afetiva). Juro que me esforcei pra fingir que aquele cheiro não me dizia nada e que eu não me lembrava disso, mas quando o estômago começou a doer, fui à drogaria mais próxima e comprei um sabonete Palmolive roxo.

Eu gosto de muitas lembranças de coisas que eu vivi com muitas pessoas, mas tem algumas que eu queria apagar- pelo menos por umas semanas, até elas pararem de provocar reações indesejadas.

No fundo no fundo, eu acho uma merda ter que esquecer assim. Optar por dizer tchau, fechar a porta, não olhar mais nem pra frente nem pra trás. Mas eu vou fazer o que? M´y faire, de novo.

E isso vale pra muitas pessoas. Inclusive pra Luana, de quem eu me lembrei hoje de manhã enquanto tirava o rosa das paredes do meu ex-quarto.

(pensei em tudo isso porque acabei de ver o filme do Michel Gondry)

agosto 3, 2004

Percebi agora

sentadinha na cadeira de plástico lá fora, tomando meu chá mate no copo, que o dodói ainda dói. talvez eu tenha que escrever mais sobre isso, mas não aqui.

agosto 8, 2004

Friaca

Ai, Tutu, e esse frio que me impede de me divertir na lage?

fui pra Eldorado (um bairro de Diadema) hoje de manhã. Temperatura: 9 graus. Chuva fina. 10 armas entregues pela manhã. uma menininha de vestido de cetim esperando ser batizada pelo padre Odair. carreata do candidato petista. cavalgada. um cachorro quase foi atropelado na Imigrantes. um moço de bermuda e chinelo entregou uma espingarda.

outros detalhes do dia:

trilha sonora : Snow Patrol, com uma pitada de Neil Young (heart of gold, pra lembrar só um pouquinho)
bebida: vinho Vacqueyras
comida: só coisa boa, saudável. e sorvete de chocolate com amêndoas (sem robert kurz dessa vez).
vestimentas: gorro de lã, duas meias em cada perna, luvas furadas, gola alta.

Tutu: rezo pra gente gozar de boa saúde.

outubro 22, 2004

montanha-russa versão light

é assim, tudo meio junto: pé no chão e sorriso na cara, olhar vazio e aperto no peito, aeróbica à noite, saudade saudade saudade, pulinhos na escada, piadas sarcásticas, friozinho no pé e no peito também, tantas listras nas meias e uma blusa preta pra não deixar dúvidas. cara de interrogação, de espera, tentativa de olhar pras pedrinhas ou pras palmeiras ou pra bola da cortina ou pro furo do papel, de verdade.

silêncio forçado, parada indesejada, e aqui dentro, tanta vontade.

novembro 18, 2004

sem explicação

por que o conforto é tão fugaz, e os sonhos de cozinhas quentes e fumegantes são tão breves

por que as fibras não agem

por que não adianta, toda vez que eu abro meus olhos, querer saber aonde estão os outros

por que os fios sumiram e o computador não liga sem eles

por que meu salário é tão baixo e pessoas idiotas ganham muito mais

por que não dá pra descer do ônibus e entrar em outro

tanto espirro.

novembro 22, 2004

tem explicação

essa minha oscilação de humor e etc. ela está muito, mas muito relacionada a três fatores:

- a oscilação da minha conta bancária, que tende ao negativo após o quarto ou quinto dia útil do mês;

- falta de férias: faz 16 meses que trabalho sem parar;

-meus hormônios. sim, aqui dentro está tudo uma grande casa da mãe joana.

Aliás, eu sou uma Grande Casa da Mãe Joana Ambulante.

novembro 24, 2004

coração desabafa

limite é assim uma coisa que não deveria existir, porque sempre atrapalha na hora de desfrutar os prazeres da vida. ainda mais pra pessoas como eu, que têm a maior dificuldade em lidar com limites, linhas, fronteiras, onde acaba o meu e começa o do outro, onde eu preciso sinalizar, onde eu abro a porta, onde espero que me abram, etc. o que acontece, na maioria das vezes, é que nem consigo "praticar e melhorar minha relação com os limites" porque eu me atrapalho toda, sempre. então, pra não sofrer (já imaginando que o sofrimento virá, já imaginando que eu não vou dar conta sei lá do que) é que eu acabo sempre colocando um limite que o outro deveria colocar, sem nem perguntar, e breco tudo, e tropeço, e me enrosco, e não saio do lugar... e no final das contas fico toda tristinha. e ainda ouso creditar a tristeza ao fato de ter almoçado só uma barra de cereal, de ter sede, de ser lua cheia ou qualquer outra desculpinha que, como diz a Paula, é puro aplique- não cola.

eu sou mesmo terrível.


ou seja, estou chateada, um pouco comigo mesma também. e não fechei nenhuma porta, não.

março 2, 2005

hibernar

pode?
ando meio ursa.
me alimento de mel, preciso dormir.
agora.

julho 11, 2005

luto

O locutor Narciso Vernizzi, conhecido como "O Homem do Tempo", morreu nesta segunda-feira, aos 86 anos.

julho 12, 2005

de meias na praia

sim, eu fui à praia de meião- até os joelhos. estava frio, muito frio, por volta das nove horas da manhã de sábado na praia de jabaquara, ao lado de parati.

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sim, eu fui à flip. e foi bom, muito bom.

novembro 1, 2005

desabafa

sabe quando você quer que o disco mude mas ele grudou na vitrola e o roteiro é sempre o mesmo, feriado sem diversão, falta de tempo pra testar as receitas de cookies da martha stewart, impossibilidade de fazer qualquer coisa pra quebrar a rotina (tomar um porre, pintar as unhas de rosa choque, escapar pra ver os navios de santos, ouvir cds deixados de lado)? sabe quando você olha pra trás e pra frente e dá na mesma, tudo parece igual, sem graça e eterno, como um castigo ou uma sina ou um karma? quando você se sente tão só e desemparada quanto a penélope que se viu abandonada pelo marido em ilha estranha sem ninguém em quem confiar? quando você percebe os seus erros e não tem tempo nem energia pra mudar de rota, muito menos pra stand for yourself?
então, é assim que eu estou me sentindo ultimamente. e não consigo nem me lembrar dos meus sonhos pra descobrir ali uma luz, uma saída qualquer, um mote pra piada ou frase bonitinha.

abril 4, 2006

é assim

que eu me sinto

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entende?

agosto 17, 2006

auto-ajuda

eu não vou sucumbir
e nem posso desistir

então eu faço o que dá: choro nos braços do coisa linda e como corpus-chocolate-que-imita-danette-e-só-tem-90-kcal-cada.

e quando a coisa aperta muito, jogo futebol ou brinco de esconde-esconde com a nina.
ou leio resumos de novela.

agosto 1, 2007

sobre o frio

acabo de ouvir no rádio a previsão do tempo: na quinta-feira à tarde poderemos usar menos casacos do que hoje. nada animador!

eu sempre gostei de outono, de temperaturas baixas, de ver a neve cair, mas dessa vez não estou suportando o frio. talvez porque já esteja suficientemente frio aqui dentro, ou pelo contrário, essa onda de frio me encontrou num momento em que eu estava tentando reativar o verão e mim. sei lá. sei que é insuportável, dói, desanima e imobiliza.

agosto 11, 2008

tucanaram a gripe

há dias tenho me sentido totalmente sem energia, como se um trator tivesse passado por cima das minhas costas. minha vontade, que se acentuou quando a chuva finalmente chegou a são paulo, é de ficar o dia todo na cama. estou desanimada, mal humorada, espirro às vezes, tusso quando acordo, não consigo nadar...e esse quadro não evolui: não pioro nem melhoro. os dias passam e sigo com essa gripe tucana.

meu único consolo é a colcha nova que me aquece e conforta.

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e parece que eu não fui a única a me apaixonar pelo presente da minha mãe.

zazatrico.jpg

(não deu pra fotografar a nina, mas ela também gostou).

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