Escrevo pra contar que, seguindo as suas recomendações, eu me cuidei direitinho. Viajei de pneus novos, dirigi com prudência, me diverti e descansei bastante. Provei um novo tipo de caipirinha que eu acho que você ia gostar, e fiz um bolo que não te agradaria, porque eu sei que você gosta de tudo meio queimadinho, e o meu saiu mais pro cru.
Me joguei na piscina quando achei que eu devia, me embriaguei na medida, li um pouco e dei risadas sinceras, sem nenhuma dor escondida.
No meio disso tudo, me lembrei de como fiquei feliz com seu bilhete de sábado de manhã. Você prometeu me ajudar e, como sempre, cumpriu. Eu pude descansar e acordei tranqüila. Me senti amparada- e você, que tem acompanhado vários momentos meus de desespero quase irreversível, sabe como isso é importante pra mim. Acho que é por isso que você sempre me oferece chocolate pra TPM, vinho pros dias chués, segura na minha mão toda vez que eu grito (isso, desde quando eu não queria que cortassem minhas unhas), que me ensina que os homens de hoje estão fragilizados e confusos e acerta sempre nos calendários.
Panos, tenho o maior orgulho de ser ervilhinha, mesmo que isso signifique ser levemente ranzinza, excessivamente introspectiva, mastigar os alimentos menos vezes do que recomendam os médicos, ter dedos de salsicha e se proteger das agruras do mundo travestindo a bondade em braveza. Saiba que eu guardei o seu bilhete naquele diário enorme que eu carrego pra todos os cantos, pra poder ler as suas palavras toda vez que o peito apertar um pouco.
Obrigada por tudo (e isso inclui o bolinho de chocolate que você me deu na madrugada de sexta pra sábado). Um smac pra você também.
Lila