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um dia

Preciso terminar um texto que está perdendo o pé. Tem algum ponto onde eu posso mexer e ele vai retomar o rumo, e o desfecho vai aparecer quase que naturalmente. Mas já li mais de 10 vezes, imprimi umas três, rabisquei, rabisquei e não achei esse tal ponto, nem resolvi o problema de outro jeito. Já cheguei ao cúmulo de digitar no fim da página umas expressões meio chavão, e torci pra que elas, sozinhas, arranjassem um cantinho num dos 15 parágrafos já escritos e resolvessem tudo por mim. Mas não saíram dali de baixo, e de tanto olhar pra elas tive a impressão que tinham aumentado de tamanho, e me senti ridícula por ter sido capaz de juntar tanta bobagem num espaço tão pequeno.
O diabo é que o texto é simples, mais simples que o próximo que eu também estou devendo, mais simples que a leitura e edição de outro que me dá uma falta de ar daquelas. Mas estou bloqueada, dei tilt. O simples parece impossível, a criatividade foi comprar cigarro e não voltou, a lucidez foi pro espaço e eu só consigo olhar pras paredes brancas – e sinto uma culpa danada. E agora que as minhas mãos começaram a suar, a sensação de inutilidade é fato mais que consumado.
Fácil, esse meu dia.
Se eu soubesse que seria assim, não teria abandonado a excursão de ônibus por vilarejos alpinos...(eu usava um vestido lindo, xadrez).

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