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ombudsman

eu não sei se os leitores deste blog lêem a Folha e se viram a matéria que saiu na edição de sexta-feira, com detalhes da vida privada do pai da menina Isabella. como o conteúdo da matéria é restrito aos assinantes da Folha ou do UOL, não vou reproduzi-lo aqui, mas acreditem: fiquei pasma com a baixeza da reportagem. depois de matutar por algumas horas, decidi escrever para o ombudsman manifestando minha indignação.
estava super ansiosa pra ler a coluna dominical que ele publica no jornal, mas ele não tocou nesse assunto hoje - nem em outro, porque está se despedindo do cargo. parece que ele acha importante (e eu também) divulgar na Internet suas colunas diárias, para que qualquer pessoa, mesmo aqueles que não assinam a Folha ou o UOL, possam ter acesso às críticas, mas a Folha discordou e não teve jeito.
de modos que, como ele não comentou nada sobre o assunto e eu acho que não dá pra deixar uma coisa dessas passar em branco, reproduzo aqui o email que mandei na sexta

Caro Mário
Estou acompanhando, como todo mundo, a cobertura sobre o caso Isabella e fiquei chocada com uma das matérias publicada no Cotidiano de hoje. Fiquei me perguntando se a Folha não estaria repetindo os mesmos erros do caso da Escola Base. Afinal, uma coisa é fazer uma apuração jornalística de fôlego, como você mesmo defendeu que a Folha faça na tua última coluna, e outra é escrutinar a vida pregressa de um suspeito e escancará-la aos leitores, ressaltando todos os detalhes negativos (o modo como ele se veste, os carros caros que teria e deixou de dirigir, o fato de andar armado, as dívidas que contraiu e não pagou) que compõem o estereótipo do pitboy desonesto e que podem levar o leitor a concluir que o rapaz é mesmo culpado.
Imagino que nas apurações, muitas outras informações sobre ele foram dadas, e não foi à toa que o reporter escolheu publicar todos os fatos negativos.
Não admito que pessoas andem armadas, tenho aversão a pitboys e acho que dívidas contraídas devem ser pagas, mas ainda assim não acho que uma pessoa que adota uma dessas posturas (ou todas elas) seja automaticamente culpada por um crime. Talvez ele seja mesmo o culpado, mas não cabe à Folha condená-lo.

Obrigada

e aproveitando que eu assino a UOL (a Folha, jamais) fui espiar as matérias do Cotidiano. e a bola da vez é a madrasta da Isabella.uma das matérias de hoje escrutina a relação entre o pai de Isabella e a madrasta, traça um perfil dos dois...agora, parece que o pai era afetuoso, e a madrasta dava barracos .e eu me pergunto: porque a Folha acha importante divulgar esses detalhes? eu sei que as pessoas têm curiosidade. eu sei que está todo mundo chocado e querendo encontrar e condenar o culpado. mas fazer esse tipo de investigação é trabalho da Polícia, e não de jornalista. parece que na TV foi pior. alguns canais seguiram os advogados do pai da menina, outra emissora até montou uma maquete do prédio onde a menina morreu. e o pior: duvido que as pessoas tenham achado ruim. ou, se alguém achou, que tenha se manifestado.
a gente precisa parar de achar essas coisas normais, e achar que elas não têm consequência nenhuma, porque elas têm. no ano passado, quando um dos professores da minha banca disse que "a imprensa funciona assim e pronto, não cabe a nós questionar", ouviu um longo sermão, até dizer "ok, estou convencido" (na época, eu usei o exemplo do caso João Helio e como a imprensa abusou do assunto para reacender o debate sobre a redução da maioridade penal). não sei se eu o convenci ou se ele falou isso pra encerrar o assunto, mas me contentei por não não ter deixado aquela frase passar em branco. se não queremos questionar como as coisas funcionam, no mínimo precisamos ter consciência de que esse modo de funcionar tem consequências.

bom, agora peço licença que eu vou enrolar brigadeiros. (hoje tem festa!)

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