Então. Desde janeiro, entre outras coisas - e essa é a mais importante - estou escrevendo a publicação que conta os 10 anos da firrrrma, o Souza (desde quando ela era campanha e todo mundo fazia o símbolo dela, na TV, nas ruas, nos estádios de futebol). Tem uns 19 textos pra fazer. Tenho ficado bastante em casa, onde rendo mais, e já fiz 14 textos. Mas agora eu travei. Simplesmente não consigo achar os lides, os ganchos, nada. Achei que essa semana eu iria produzir uns três textos, mas só saiu um, e bem meia-boca. Agora, estou há horas com um outro texto aberto na minha frente. Ou melhor, estou com a página de Word aberta, mas acontece que ela está praticamente toda branca.
De manhã, resolvi ligar um som bem alto, pra ver se ajudava. E nada. Fui fazer outra coisa, montar uma parte de um relatório. Agora acabou, e preciso parir o texto. O máximo que consegui foi montar um possível lide, e daí listei o que precisa entrar no texto, e em qual ordem. Acreditem, já é um grande passo. Mas faltam muitos outros. Fico me perguntando se eu não deveria me levantar e ir fazer alguma tarefa bem manual, tipo varrer os cacos das coisas que as gatas quebraram essa semana (porta-copos, uma casinha) ou então lavar a louça, pra esvaziar um pouco a cabeça. Mas e a culpa, o que se faz com ela? E o sentimento de dever não cumprido, o que faço com ele? E a percepção de que sexta-feira está acabando, e se eu não tiver produzido mais, vou começar a segunda com um peso enorme?.
O pior é que junto com tudo isso, vem a sensação de que eu nem poderia estar sentindo essas coisas, essa trava. Porque artistas travam. Mas o que eu estou fazendo não é artístico: basta ler algumas coisas, lembrar de outras, agrupar tudo, juntar umas aspas, montar uma história e sair digitando, e depois passar o corretor ortográfico, tudo praticamente super automático.
Mas a pilha do robô acabou, e não estou conseguindo recarregá-la.