
moça, não vai levar pera hoje não? tá suculenta, docinha, o bebê vai gostar.
silêncio.
hein moça?
olhei pros dois lados. não tinha nenhuma outra mulher naquela barraca. olhei de volta pro feirante. ele insistiu: leva, o bebê vai gostar.
respondi: ih moço, lá em casa ainda tem umas três peras. e não tem bebê não. o bebê sou eu.
e ele deu um sorriso sem graça de volta. dois homens que escolhiam figos olharam pro meu vestido, procurando uma barriga que não estava lá.
não comprei as peras, paguei pelas papaias e saí pela feira carregando um enorme ponto de interrogação: eu tenho cara de mãe? ou corpinho de grávida?

comprei rabanetes. gosto do nome, das cores e de comê-los cortados ao meio com um pouco de manteiga...

provei morangos orgânicos, divinos. mas custam 20 reais o quilo. coloquei alguns numa bandeja e pedi pra pesar, pensando que gastaria uns cinco reais. quando o feirante disse que sairiam por 10 e setenta, agradeci e fugi pra barraca ao lado, aonde comprei uma enorme caixa de morangos cheios de agrotóxicos por 2 reais.