Hoje, durante o café da manhã na padaria Palma de Ouro, comecei a pensar em canudos. Não sei se vocês já repararam como as cores, espessura e qualidade do plástico do canudo variam tanto de um lugar pro outro. No posto do lado do trabalho, por exemplo, preciso usar 4 canudos pra conseguir tomar o suco de uva diet que eu geralmente compro. Os canudos são finos, feitos de um plástico transparente e de umas cores pouco convincentes: rosinha ou vermelhinho. No Caretas, que é onde almoço sempre e nunca por mais de 8 reais, os canudos são todos brancos. Lá na Palma de Ouro, os canudos são grossos, o plástico é espesso e as cores são as mais legais da cidade: marrom Nescau, verde melancia, azul calcinha e azul celeste, amarelo gema, vermelho tomate. Dá pra passar horas bolando combinações de canudos pela cor deles e do líquido que se vai tomar. Por exemplo, hoje, pro suco de cajá, usei um azul calcinha e um marrom Nescau. Pro suco de mamão, usei um amarelo gema e um verde melancia.
Reparei que o porta-canudos da minha mesa tinha mais canudos verdes e marrons. E comecei a pensar se a escassez de amarelos (eu contei: só tinha dois no porta-canudos) era mera obra do acaso ou indicaria alguma preferência dos consumidores (e seriam os consumidores da padaria toda ou daquela mesa específica?). E pensei também como é que se decide quais as cores que uma empresa vai produzir. E sobre a espessura, quem decide? O que será mais popular: canudos coloridos, brancos ou aqueles listrados, como pasta de dente? Será que existem congressos sobre técnicas de venda de canudos ou feiras que apresentam as cores-tendência do mercado? E as fábricas de canudos, diversificam a produção ou só fazem esse produto?
Terminado o café, na volta pra casa, achei tão bom ter podido ter esses minutos a pensar em canudos, em vez das coisas cinzas, duras e ao mesmo tempo tão abstratas das últimas semanas. Se as minhas interrogações se resumissem às desta manhã, certamente eu me sentiria bem melhor.