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sim ou não?

então. dia 23 tem o referendo das armas. eu vou votar sim. eu sou sim desde o começo. desde 97. eu não me sinto muito à vontade escrevendo sobre isso porque é um assunto totalmente ligado à minha vida profissional nos últimos 4 anos, minha vida acadêmica também. eu fico com medo de escrever e parecer prepotente, ou xiita. mas é que os dados estão aí. e a turma do não é a turma dos políticos que não fizeram nada para melhorar o país- sobretudo em termos de segurança pública. gente que se vale de argumentos da época da ditadura militar: o bandido como o inimigo, a ameaça que deve ser combatida a todo custo (mesmo que isso signifique uso excessivo da força, desrespeito aos direitos humanos e às normas democráticas). o direito de auto-defesa, já que o estado não funciona. não funciona porque as políticas de segurança pública que ele próprios implementaram são ineficientes- mas disso eles não falam. é a turma que propaga que vivemos constantemente sob a ameaça de bandidos dispostos a tudo para matar. dispostos a tudo para matar eram os policiais do fleury- mas disso eles não falam.
para essa turma, infelizmente, nenhum argumento parece ser suficientemente contundente. dados da onu, das secretarias de segurança pública sobre motivos das mortes, tipos de armas usadas, origens das armas, aumento das apreensões de armas, armas destruídas, pesquisas feitas em hospitais, nada disso funciona. porque não importa a realidade. importa a visão de mundo que eles têm e querem impor, sob os falsos argumentos de que estão cerceando nossos direitos, os bandidos continuarão armados, o estado não faz a sua parte.....uma visão de bem e do mal, de terra de ninguém, de pânico total, que me lembra um pouco a visão que o bush passou para os americanos sobre o iraque. há um inimigo que precisa ser combatido. e aqui no brasil, já que o estado não o faz, pois que nos defendamos nós mesmos. não parece cosia de história em quadrinhos? eu acho. não, não acho. tenho certeza. a realidade que a turma do não apresenta não é real. de onde eles tiram os dados e argumentos deles? quais são as propostas deles para segurança pública? ou eles só acreditam em segurança privada? porque eles passaram sete anos (entre os primeiros projetos de controle de armas e a aprovação do estatuto tentando barrar todas as leis do congresso, observados atentamente por representantes de fábricas de armas (que também financiaram as suas campanhas)?
eu fico muito assustada com tudo isso. com a veja. com a frente do não. com quem enche a boca e diz que vai votar não porque vivemos numa democracia e etc e tal, porque os políticos são corruptos. só falta a regina duarte aparecer na TV e dizer “gente, eu tenho medo”.
no fundo, a gente não está mais decidindo só sobre a proibição ou não da venda de armas. o recado do dia 23 é que tipo de política de segurança pública a gente quer pro país. e é isso que me preocupa.

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