
Eu acho que cansei de gente. Eu acho. É, cansei. Sempre me interessei de longe. De ver, ouvir. Agora desinteressei. Gente pode ser ruim, mesquinha, histérica, histriônica, reacionária. Gente é cruel. Gente é bom também, eu sei, mas agora não quero pensar. Me volto então pras melancias decoradas, pro wallace, pro meu gato ferido. Consigo ainda ter compaixão pelo ex-padre que está perdido em nova york tentando escrever um livro de administração baseada nos princípios de uma santa. Mas o ex-padre não existe, é pura ficção, que eu carrego numa sacola plástica por aí. Sacola cor de rosa, cor do fundo deste blogue que queria deixar amarelo, num momento de amor ao país. Depois cansei do amor ao país. Por causa das gentes. Eu mesma nem sei mais se queria ser gente. Acho que queria ser um caracol, ou tatu-bola, ou um schnecke de padaria, com direito a canela e uva-passa.