Eu fiz uma brincadeirinha com a minha pobre mente: coloquei o sabonete que eu tinha comprado pra --- na pia do meu banheiro. E aí metade da minha casa ficou com cheiro de centro cirúrgico (do sabonete) e de manhãs regadas a beijos e banhos dançantes (memória afetiva). Juro que me esforcei pra fingir que aquele cheiro não me dizia nada e que eu não me lembrava disso, mas quando o estômago começou a doer, fui à drogaria mais próxima e comprei um sabonete Palmolive roxo.
Eu gosto de muitas lembranças de coisas que eu vivi com muitas pessoas, mas tem algumas que eu queria apagar- pelo menos por umas semanas, até elas pararem de provocar reações indesejadas.
No fundo no fundo, eu acho uma merda ter que esquecer assim. Optar por dizer tchau, fechar a porta, não olhar mais nem pra frente nem pra trás. Mas eu vou fazer o que? M´y faire, de novo.
E isso vale pra muitas pessoas. Inclusive pra Luana, de quem eu me lembrei hoje de manhã enquanto tirava o rosa das paredes do meu ex-quarto.
(pensei em tudo isso porque acabei de ver o filme do Michel Gondry)