mesmo atolada de coisas pra fazer, mesmo tentando manter o foco, eu consigo deixar vir à tona algumas verdades sobre mim. a primeira delas, a de sempre: eu tenho medo. é isso que eu escondo de todo mundo. o claudio acha que eu consigo enganar todas as pessoas- menos ele, porque um dia, depois de duas garrafas de vinho, eu contei tudo , e depois desse dia a gente virou cúmplice um do outro (porque ele também tomou do vinho e me contou muita coisa).
eu acho que eu não engano ninguém, está tudo sempre na minha cara, no meu jeito de fingir que é tão explícito, tão óbvio.
eu tenho medo. e de noite o medo vira pânico e minha vontade é correr e segurar na mão da primeira pessoa que eu vir pela frente. nesses dias todos, o medo tem dado lugar ao pânico, o pânico, lugar ao medo. e eu me encarrego de segurar as minhas mãos, como se a esquerda não conhecesse a direita e vice-versa. como se fossem estranhas, como se o conforto imediato viesse de fora. como a música, o chá, as meias quentes, como eu acreditei, tantas vezes, que o amor seria.
lá dentro, o estranhamento continua. e eu olho pro mundo e sorrio, tão óbvia.