Quando se mora ao lado de uma portinha comercial que fica fechada a maior parte do ano e só abre a partir do final de setembro para vender decorações natalinas, fica difícil não se deixar influenciar precocemente pelo espírito de Natal. Desde o meu primeiro dia de volta de férias (ou seja, 29 de setembro), cada vez que saio de casa tenho me deparado com pelo menos um Papai Noel ao lado do prédio, seja ele inflável, dentro de uma bola com neve ou sentado numa cadeira de balanço. E apesar de todos os meus esforços pra não me deixar contaminar pela ansiedade natalina, nossa árvore de Natal acabou sendo comprada em outubro. Felizmente, o fato de viver com a Zazá nos convenceu a postergar a montagem da árvore para dois meses depois.
Então eu fiquei esperando dezembro chegar e quando vi, o mês já tinha começado e aqui em casa, estava todo mundo exausto, tristonho e irritado. Esse foi um ano duro pra mim e pra vários amigos, trabalhamos como loucos, sobrou pouco tempo pra diversão e pro sonho, e acabei me ocupando muito em gerenciar pessoas, supervisionar projetos, garantir resultados e quebrar galhos (e dar broncas, e ficar no pé, e ser testada, e ser ofendida, e ser magoada...)
Tomada pelo desânimo e pela fadiga, quase pensei em não fazer biscoitos de Natal esse ano. Mas a cobrança de algumas pessoas me ajudou a seguir em frente. Assim que tive uma folguinha, escapei pra região da 25 de maço e Paula Souza pra comprar cortadores de biscoitos, ingredientes e embalagens. Em pouco menos de uma hora de passeio, me vi tão contaminada pelo espírito natalino que comprei até saquinhos de biscoitos com desenhos de bonecos de neve (eu que sempre critiquei essa mania de colocar neve no nosso Natal tropical).
E há uma semana a produção de biscoitos começou. Empolgada com o fato de ter uma cozinha grande, utensílios novos e um ajudante de cozinha muito disposto, acabei produzindo muito mais do que esperava. Foram cinco tipos de massas: nozes, mel, amêndoas com canela, gingerbread e marzipan com laranja, que renderam no total uns 600 biscoitos. Sim, seiscentos biscoitos que depois de assados, foram decorados (tá bom, nem todos, porque eu sei de gente que os prefere naturais).

E desde então eles têm sido despachados em caixinhas ou saquinhos de boneco de neve, alegrando as pessoas e me alegrando também, porque apesar das mágoas, dos testes, das ofensas, de todas as noites que cheguei em casa me sentindo uma bruxa, derrotada ou exausta por gastar tanta energia em coisas não tão importantes, sei que tem gente que gosta e mim e gosta do que eu faço e isso pra mim vale ouro.

E para quem caiu nesse blog em busca de receitas de biscoitos de Natal, indico essas três, que eu já testei, aprovei, fotografei e postei no Panelinha: biscoitos amanteigados de alecrim , biscoitos de coco queimado e biscoitos de marzipan e laranja. E se quiserem a receita dos gingerbread, das luas de nozes, dos cometas de mel ou das estrelas de canela e amêndoa, é só escrever para lidimes arroba gmail ponto com que eu enviarei de bom grado. Mas por favor agradeçam, que daqui pra frente eu só quero gentilezas.
