maio 16, 2008

ressaca

no final das contas, não tomei porre de nada, mas não dormi. a insônia me pegou de jeito, e depois de uma meia hora lutando contra ela na cama, saí do quarto e fui trabalhar no computador. às cinco e meia da manhã, já não tinha mais nada pra escrever, e continuava sem sono. então decidi fazer uma coisa que eu andava com muita vontade de fazer mas nunca achava tempo: pão.
na casa dos meus pais, sempre comemos pão caseiro. me acostumei a ver massas de pão cobertas com pano de prato esperando pra crescer e também a acompanhar minha mãe sovando e assando pães brancos e integrais (a melhor hora era quando saíam do forno; a gente cortava uma fatia e enchia de manteiga...). mas nunca me aventurei a fazer um pão sozinha. então nessa madrugada, achei que tinha chegado a hora. a receita eu peguei do Panelinha, é essa de pão integral com nozes , que tem um tempo de preparo superior a duas horas ("ótimo", pensei, pois descobri o que fazer entre as seis e as oito da manhã). como eu não tinha nozes em casa, substituí por uvas passas pretas e claras. e pra fazer uma graça, joguei semente de linhaça na massa.
fiquei bem nervosa e com medo do meu primeiro pão ser um fracasso, mas no final tudo correu muito bem. a massa cresceu, depois dei uma sovadinha lembrando dos movimentos da minha mãe, e coloquei os dois pães pra assar por uma hora e dez minutos. depois desse tempo, dei uma batidinha na parte de baixo do pão e ouvi o som oco indicando que estava pronto. daí, foi só pegar a manteiga, cortar uma fatia e curtir o gostinho de mel e passas (e manteiga derretida)....nessa hora (quase nove da manhã) o david levantou, e saboreamos juntos mais algumas fatias do pão. ou seja, a noite ruim até que teve um final feliz, e bem saboroso.

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um porre

se eu pudesse, tomaria um porre. de álcool, nem pensar. então poderia ser de petits gateaux (ainda tem 4 no freezer). não, nada de ruim aconteceu. foi só que, depois de cozinhar polvo, fatiar lulas, fazer caldo de camarão e comer uma delicosa paella, enquanto lavava a louça e conversava com uma colega do curso sobre trabalho, me deu uma vontade enorme, daquelas doídas, de chorar. felizmente tive a radial leste inteira pra percorrer me debulhando em lágrimas. mas ainda assim, se eu pudesse, tomaria um porre.

maio 14, 2008

saideira

fim de noite, fim de um dia estranho, ruim mesmo.
saí do trabalho e fui ao pronto-socorro, tossindo, espirrando, gemendo. de lá fui à farmácia comprar antibióticos, cortizona, soro fisiológico e muito lenço de papel. pelos próximos dez dias, vai ser assim: remédios a cada oito horas, e provavelmente, nada de natação.
e o que fazer em casa enquanto não chega a meia-noite, hora de tomar os medicamentos e virar a página desse dia tão chato? comecei a zanzar pela cozinha, como faço nos momentos de tédio. abri uns livros de culinária, li algumas receitas, tomei suco, dei água pras gatas, li mais receitas...até lembrar que no freezer havia petits gateaux. e pronto: o fim do dia ficou bom. aqueci o forno por quinze minutos e acompanhei de perto os outros quinze que eles levaram pra assar. ficaram no ponto: assados por fora, moles por dentro.
muito melhores que no domingo. (mas olha só, mãe: ainda sobraram alguns no freezer, podemos tentar de novo).

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e pra acompanhar os gateaux, ovos em neve com canela.
tudo feito por quem? eu mesma.

maio 9, 2008

oito de maio

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e há um ano, nasceu o pedrocs, a ermã virou mãe e eu, tia.
e há um mês, eles voltaram pra kuala, de modos que por aqui não houve festinha de família, e tivemos que nos contentar com as lembranças da festa de onze meses, que foi de arromba.
pedrocs se divertiu com tudo, das bexigas aos convidados, passando pelo bolo de chocolate, que ele não comeu, mas deu umas boas apertadas.

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e em homenagem ao sobrinho distante, hoje me fartei de doces: petit gâteau, crème brulée aromatizada com sálvia, crêpe suzette, coulis de morango com sorvete de creme e também algumas colheradas de doce de leite argentino. juro que pensei no sobrinho enquanto saboreava cada uma das iguarias, e desejei pra ele muitos anos de vida (mais perto da gente).

maio 7, 2008

garota da capa

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e por falar em muffins....a gripe ainda não foi embora, mas a fornada de energéticos acabou rapidinho. a próxima deve ser de abóbora com coco, ou de leite de coco com sementes de lavanda (vai depender do meu humor).

maio 5, 2008

energético

nutritivo, delicioso, cheiroso....mas infelizmente, é um muffin sem propriedades anti-gripais. de modos que comi, estou alimentada e energizada mas impossibilitada de sair de casa. me dóem as costas, a garganta, a cabeça, tusso e me queixo...

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e para aqueles que não tiveram o mesmo azar que eu e só precisam de uma injeção de energia, fica a receita desse muffin de banana e aveia:

Ingredientes:
- 3 bananas maduras picadas (eu usei banana prata)
- 1 xícara de farinha de trigo
- 1 xícara de farinha de trigo integral
- 100 gramas de açucar mascavo
- 1/2 xícara de aveia em flocos
- 3 colheres de sopa de canela em pó
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 90 ml de leite
- 2 ovos
- 100 g de manteiga em pedaços

Preaqueça o forno a 180 graus.
Numa tigela, misture com um garfo os ovos e o leite. Reserve.
Em outra tigela, coloque a farinha, o fermento, o açucar, a aveia e a canela e misture. Junte o leite e os ovos, mexa e vá misturando os pedaços de manteiga, amassando bem. Por fim, junte as bananas e dê uma última misturada.
Unte 12 formas de muffin e coloque mais ou menos duas colheradas de sopa da massa em cada uma delas. Distribua o restante da massa entre as forminhas e leve pra assar por 25 minutos.

e a chuva

de sexta-feira teve em mim dois efeitos: a longo prazo (ou seja, no dia seguinte) uma gripe mais forte do que as das semanas anteriores, e a curto prazo, ou seja, logo que coloquei os pés (encharcados) em casa, uma incontrolável vontade de comer bolo. não aqueles bolos cheios de cremes e firulas; aqueles bem simplezinhos, que todas as mães sabem fazer nas tardes chuvosas: de milho, fubá, laranja, limão, ou, delícia das delícias, mármore, com um gostinho de baunilha.
minha idéia inicial era fazer o bolo mármore, mas como todas as receitas que eu encontrei pediam uma fôrma maior do que a que eu tenho em casa, continuei minha busca até encontrar esta receita, que me pareceu ideal, já que combina três coisas de que eu gosto: massa simples, geléia e farofinha.
na despensa, havia duas geléias: uma de damasco, que me pareceu meio sem graça pra essa empreitada, e uma geléia de ruibarbo e gengibre, presente da ermã. pra mim logo ficou claro que eu usaria a geléia de ruibarbo, e que este seria o momento mais que perfeito pra testar o casamento rooibos-ruibarbo. e como fazer isso? bem, a receita pedia leite, e decidi substituí-lo por chá de rooibos bem concentrado. também decidi jogar na massa umas boas colheradas do chá seco, pra ver se durante a cocção, liberaria aroma e acrescentaria gosto.
bom, noves fora todos os acidentes e percalços (o ovo que se partiu na geladeira, a manteiga derretida que eu deixei cair em cima de mim, o açucar mascavo da farofa que começou a esturricar e liberar um cheiro quase tão ruim quanto o de avelãs assando, o forno que está desregulado e levou mais de uma hora pra assar o bolo, o rooibos que não liberou aroma nem acrescentou gosto), posso dizer que o bolo ficou bem gostoso. satisfez o meu desejo, e agradou quem comeu (duas, três fatias de uma vez) depois.
e gostei tanto da receita que pretendo repeti-la na próxima vez que chover, com a geléia recém-ganha da mãe, e com a receita de farofa da avó catarinense (com menos farinha e sem açucar mascavo).

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quanto ao casamento rooibos-ruibardo, deverá ser testado em outras receitas. provavelmente, inevitavelmente, em muffins - mas não hoje, porque nesse exato momento estou assando "muffins de sustança", cheios de banana, aveia e farinha integral pra eu aguentar o tranco da semana...


maio 2, 2008

rooibos

Foi lendo as histórias da Mma Ramotswe, a primeira detetive mulher de Botsuana, que eu descobri o rooibos. Em todos os livros da série, Mma passa as tardes em seu escritório batendo papo com sua eficiente secretária Mma Makutsi e tomando chá de rooibos - quente, apesar do calor africano que faz em Gaborone. Ela também propaga as propriedades terapêuticas desse chá para todos os seus clientes e sempre lhes oferece um pouco para tomar enquanto conversam sobre os mistérios que lhe pedem para solucionar. E de tanto ler sobre esse chá calmante, digestivo e saboroso, e falar dele pra outras pessoas, tive a sorte de ganhar algumas versões de chá de rooibos. Hoje, em casa temos rooibos puro e rooibos com laranja e canela. Também guardo um saquinho de Red Bush Tea da Twinings, que é lindo, todo decorado com girafas (que infelizmente eu cortei na foto).

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Pra mim, o chá de rooibos é a melhor bebida pra acompanhar um feriadão frio ou mesmo pra quando fico trabalhando em casa. A cor do chá pronto é linda, o gosto é sensacional, e o cheiro que fica na cozinha é confortante como um abraço.

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Gosto tanto do rooibos que venho pensando há um tempo em como usá-lo na culinária. Afinal, se há tantos biscoitos e shortbreads que levam Earl Grey (outro que impera na minha lista de chás favoritos), não haveria porque não haver receitas com rooibos. A minha primeira idéia era fazer um tipo de bolo, e intuitivamente associei a bananas. Depois, talvez por causa da sonoridade dos nomes, comecei a pensar se rooibos não combinaria com ruibarbo.

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E hoje, nas minhas buscas por receitas, as duas primeiras que encontrei levavam justamente esses ingredientes: pão de banana, especiarias e rooibos, e geléia de rooibos e ruibarbo. Depois, em sites sul-africanos (terra do rooibos), encontrei muitas outras, especialmente neste site (que também apresenta variedades do chá e produtos cosméticos feitos com a planta) e neste aqui, onde achei receitas de sobremesas e até de pratos principais - nesse caso, o chá de rooibos substitui caldos e fundos no momento de deglacear, engrossar ou simplesmente aromatizar.

E tendo lido tudo isso, acabei me decidindo a fazer....muffins com sabor de rooibos recheados com geléia de ruibarbo, e provavelmente usar um pouco do chá pra deglacear peitos de frango salteados com cogumelos.
Mas antes de fazer qualquer coisa, vou ficar mais algumas horas saboreando algumas xícaras desse chá e sonhando com terras mais quentes...

abril 28, 2008

à caráter

e foi assim que eu fui pra cozinha fazer meu primeiro roux e logo em seguida, meu primeiro velouté. não ficou sensacional, mas rendeu um molho razoável (com queijo meia cura e tomilho) que acompanhou um macarrãozinho integral.

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e quem quiser aprender a fazer roux (um espessante ao qual se acrescenta caldos, temperos e outros ingredientes para fazer molhos clássicos) pode ver o passo-a-passo aqui.

abril 22, 2008

tiradentes

e o feriado passa rápido, não? esse foi especialmente curto, talvez pelas horas a mais de sono que eu me concedi, por conta de uma gripe do tipo não-fode-nem-sai-de-cima, e mais ainda pela te-pe-eme que me fez oscilar entre crises existenciais e acessos de mal humor e agressividade gratuita, me obrigando a ficar bem quieta na toca.
mas como tudo passa, e no final da tarde eu já estava mais amigável comigo e com o mundo, resolvi fazer uma coisa gostosa pra saborear nas últimas horas do feriado e também nos próximos dias (nos meus passeios de metrô): muffins! ou melhor, muffins de cenoura e uvas passas. a receita, eu mesma inventei, a partir da receita-base da ermã. eu só estava um pouco incerta sobre a quantidade de cenouras, e me inspirei numa receita americana que pedia 3 cenouras raladas (só não me baseei na receita inteira porque era ultra radicalmente orgânica, integral, fat-free e vegan)
enfim, meus muffins ficaram muito gostosos, então acho que vale publicar a receita aqui. (e se tudo der certo, uma foto também)

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Muffins de Cenoura e Passas

Ingredientes:
- 3 cenouras grandes raladas (eu ralei no ralador mais fino, pra ficar mais fininha e molhadinha)
- 2 xícaras de farinha de trigo
- 80 gramas de açucar (usei o branco dessa vez, pra não interferi no laranja da cenoura)
- 2 colheres de sopa de canela em pó
- 2 colheres de sopa e gengibre em pó
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 90 ml de leite
- 2 ovos
- 100 g de manteiga em pedaços
- 3 punhados de uvas passas pretas

Preaqueça o forno a 180 graus.
Misture com um garfo os ovos e o leite. reserve.
Numa vasilha grande coloque a farinha, o fermento, o açucar, a canela e o gengibre e misture. Junte o leite e os ovos, mexa e vá misturando a cenoura ralada. Junte a manteiga em pedaços e misture com um garfo, amassando bem os pedacinhos de manteiga. Por fim, junte as uvas passas e dê uma última misturada.
Unte 12 formas de muffin e coloque mais ou menos duas colheradas de sopa da massa em cada uma delas. Distribua o restante da massa entre as frminhas e leve pra assar por 25 minutos.


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