odeio dizer isso, mas odeio meus vizinhos; alguns mais, outros menos. eles não chegam a me fazer mal tão diretamente quanto a turma da terceira idade do edifício paineira (uma turma liderada pela queridadíssima dona emiko), mas ainda assim me incomodam bastante.
tem o casal de argentnos super simpáticos, mas que passeiam com dois vira- latas que insistem em pular em mim quando estou de branco. e adoram observar a vida alheia (e latir para a vida alheia) sentadinhos na janela da sala .
tem o dono do pit bull que filma as acrobacias do bichinho, acompanhado da namorada de franjinha moderna.
tem a mocinha que ouve funk, axé e cia num volume insuportável enquanto o marido pesca em mogi das cruzes.
e tem o aluízio, dono da cadela zazá (que precisa se divertir arrastando uma garrafa pet pelos paralelepípedos da vila nas horas mais impróprias), da kombi a álcool que precisa ser ligada todos os dias às sete da manhã, de extintores que precisam ser testados às sete e meia...eu juro que eu não queria odiá-lo, porque apesar de tudo ele é fofo e bom coração. mas hoje está sendo impossível.
é que ele ligou o rádio às seis e meia da manhã para ouvir as primeiras notícias....e abriu bem a porta da casa dele para compartilhar as novidades com todos os vizinhos. então de repente eu saí do meu passeio por um jardim italiano para ouvir sobre um acidente envolvendo cavalos e um caminhão numa estrada qualquer.
ai, aluízio, eu queria o meu jardim ensolarado de volta....
teve filé de salmão ao molho de maracujá, mel, cebolas roxas e pimenta rosa, acompanhado de purê de batatas no azeite.

quem trabalhou, comeu. quem comeu, aprovou.
começa com um delicioso vinho chileno e a luta pra não ser derrubada pela gripe. tem vários projetos: móbiles, peixe, um pouco de tricô, jantares e muitas conversas gostosas. poder dormir quando eu quiser, passear se der vontade, ah, namorar, que faz um bem danado.
lá vem a páscoa, falta pouco. hoje cedo encontrei um ovo de chocolate na minha mesa da firma. e na caixa de e-mail tinha esse cartão fofo:

e eu fiquei tão contente com as minhas novas bolas vermelhas que fui bordar algumas delas no meu livro de pano

como eu estava ouvindo henri salvador, bordei também "chambre avec vue"

o david é ótimo: pendurou o móbile de bolas no meu quarto

e tirou essa foto bacanésima:

o móbile eu ganhei da ermã (a aniversariante do dia)
então ontem eu tive minha primeira aula de tricô. na verdade não foi a primeira, porque há uns 15 anos minha mãe tentou me ensinar. mas eu era menina birrenta e impaciente e ficava nervosa por não saber as coisas e não acertar logo de cara. errar, eu? a princesinha que tudo sabia? era incabível pra mim. então tudo o que eu não conseguia fazer logo de primeira, eu abandonava, depois de muito escândalo. foi assim também quando eu aprendi a andar de bicicleta. meu pai teve que ter muita paciência, porque eu gritava a plenos pulmões, xingava todo mundo e as rodinhas e os pneus e o banco e o guidão e a mim mesma.
ontem à noite eu também errei, alguns pontos saíram frouxos, não entendi direito um tal de ponto tricô que é sempre o primeiro para o trabalho ficar mais bem acabado, mas mesmo assim eu não desisti. foi uma experiência boa, não gritei, não xinguei, não chorei.
é possível não saber tudo e ser feliz.
alegrias:
listar as pendências do trabalho com caneta rosa cheirinho de morango,
pensar em chá quente com leite ninho em pó,
ganhar milhares de beijos virtuais,
usar anel cheio de pedrnhas brilhantes,
receber respostas depois de 3 insistentes e-mails,
ler e-mails da ermã,
perceber que as coisas rolam (ai, essa doeu. mas é verdade).
sim, é muito importante usar branco às sextas-feiras.
eu não sei se algum dos milhares de leitores deste blog gosta de fazer isso. eu gosto, mas não faço há tempos. e todo ano, antes do inverno chegar, prometo a mim mesma que vou voltar a fazer.
não, não é ginástica. é tricô.
pois bem, pra quem gosta, quer começar, quer praticar, aí vai uma dica: as tricoteiras de sampa (olha que grupo legal!) estão recebendo quadrados tricotados para fazer mantas, xales e etc que serão doados a instituições que cuidam de idosos.
para saber mais, cliquem aqui
eu vou participar.
ou melhor, Horgulho do papai, com H maiúsculo, como em Hervilho.
é que sabe aquela vergonha? ela anda indo pra cucuia, several times a day.
eu estou apaixonada.
eu estou feliz.

A raiva veio e foi embora, se afogou no fundo do rio. Um rio marrom, grosso, daquelas águas cheias de folha e barro. Caudaloso. Um afogamento caudaloso.
O medo tem ido pelo ralo, escorrendo aos poucos com os restos de xampu, alguns fios de cabelo, gotinhas de tinta- tonalizante laranja. Uma mistura que entupiria qualquer cano. Pode entupir, contanto que não atrapalhe a minha circulação.
Apesar dos três pedaços do beirute fartamente recheado, devorados com meio litro de suco de caju e um pirulito santa rita, me sinto leve. É sexta-feira, o vestido está branco ainda, e nem tudo me parece impossível.
da semana. quero que acabe, quero que acabe.
quero começar a fazer diferente. quero começar.
(ah, quero uma cerveja também. bem gelada. mas agora vou estudar gênero e família na sociedade xyz)
dá pra ir ali tomar um refresco e não voltar mais?
pode ficar descalça?
o tempo pode correr mais rápido hoje?
furo o rodízio, ando ou pedalo?
e dormir, é pra quando?
o mundo tem pessoas legais. e outras muito pedantes.
suco de caju sempre deixa um rastro mais grosso no fundo do copo.
às vezes eu percebo coisas que ninguém quer perceber.
eu acho que eu quero mudar.
pessoas introspectivas e com uma certa tendência a ser nerds inevitavelmente acabam encontrando muitas consolações para seus problemas nos livros- ainda mais quando faltam alguns dias para a sessão de terapia e o coração e a cabeça estão prestes a explodir, já se comeu todo o chocolate disponível e as dores não passam.
pois bem, visto que me encontro em estados de alma bem esquisitos (sem ter razões concretas para tanto, pelo contrário, quer dizer, mais ou menos), ontem fui me deitar pensando em continuar a leitura das histórias de Mma Ramotswe, pensando no alívio que elas me trariam. (é que, como disse alguém em algum lugar, estes livros são verdadeiras celebrações da vida) mas olhei para o lado e encontrei na estante um dos melhores livros que o alain de botton já produziu- the consollations of philosophy (tem edição em português). o livro basicamente trata de alguns problemas que todo ser humano enfrenta (tristeza, frustração, raiva, broken heart, sentimento de inadequação) e como alguns filósofos se debruçaram sobre eles.
ah....como foi bom ler o que Seneca pensava da raiva. aprendi muito. e descobri que é bem possível que a minha falta de raiva seja causada pela minha falta de esperança. quando a gente espera pouco das coisas, acha que merece pouco, acaba não se indignando tanto quando as coisas dão errado, quando as pessoas têm atitudes canalhas com a gente.
então tá, lidimes quer ter mais esperança. como faz?
e deixou comigo as fotos de suas últimas obras: colares que vão levar a assinatura de minha amiga moemeth.

ai, mariseth, logo logo eu te mando todas, mas queria primeiro postar uma foto aqui, pra dizer o quanto eu me orgulho de você.
caros leitores, aproveitem a nova lista de links que coloquei aí ao lado. a maioria dos links novos leva a sites sobre sobre coisinhas que eu gosto e gostaria de fazer (se eu não gastasse tanto tempo me culpando, me cobrando e sofrendo por coisas inúteis): cortar, costurar, desenhar. o ervilha cor de rosa, por exemplo, é de uma portuguesa que faz bonecas de pano. o da camilla engman é meu predileto: além de ilustrações e coisinhas que ela faz com veludo, tem foto do cachorro dela que é uma graça. tudo limpo, branquinho, cheirosinho, nórdico. o not martha mistura comidinhas e outras coisinhas coloridas.
cada um deles tem um pouco do que o lidimes conta quer ser um dia: um blog com menos sofrimento e mais criação.
vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha, vergonha.....
vergonha de ter vergonha, também.
tudo isso porque um dia me disseram que eu era uma boneca- e acreditei.
noutra vez, me disseram que eu era a princesinha que vivia na torre- e também acreditei; então agora eu só não ando com um saco de papel enfiado na cabeça porque eu ainda tenho um pouco de senso de ridículo. só não me escondo em alguma gaveta profunda porque eu tenho faturas a pagar.
ser bonequinha demais, fofinha demais, coloridinha demais, boazinha demais. queria ter mais raiva, ser mais brava, chutar e bater, quem sabe. porque senão a raiva vira mágoa, vira pena, vira bola no peito que vira tosse chata e sono em excesso, e eu continuio sem saber como me defender, adotando a velha tática de sair do campo em vez de levantar um escudo.
será que eu deveria fazer algum tipo de luta marcial?
pode?
ando meio ursa.
me alimento de mel, preciso dormir.
agora.
mesmo na hora de nascer: saiu da barriga da mamãe um mês antes do previsto. se não fosse por isso, meu aniversário seria hoje. se não fosse a minha pressa, tanta coisa seria diferente hoje. pra pior e pra melhor, quem é que vai saber?
mas eu sou assim, apressadinha, impaciente, quero tudo pra ontem, as respostas, as voltas, as novidades. às vezes me acostumo a esperar bastante, mas isso me entristece, porque sinto que o mundo parou de girar. de certa forma, ele parou mesmo, faz uns meses. de outras, ele retomou seu movimento, depois de looonga espera.
(hmmm....melhor parar por aqui, esses são assuntos pra eu escrever nos cadernos. última coisa: quem quiser me dar feliz aniversário de novo, estou aceitando. é que lidimes anda muito receptiva)