o mais novo integrante da família rechenberg, joão pedro cunha, em aparição rápida pela cidade, esbanjou charme e carisma.


a mulherada de porto alegre que se cuide!
e atenção para uma nota fresquinha do nosso plantão de notícias: querido Ti reformulou o seu Torrida. está lindo, visitem, o link está aí do lado esquerdo, é só clicar e babar
e lembrando no que me fez começar este blog. entre outras razões, eu comecei a escrever aqui porque eu estava saindo com um cara por quem eu estava muito apaixonada e que dizia que eu falava muito pocuo- e isso me angustiava, porque eu achava que tinha mesmo que falar mais, não estava conseguindo e escrevia aqui na esperança de que ele me lesse e visse que eu não era uma Maria Mudinha.
demorei algumas semanas para perceber que ele não passava de um neurótico que precisava de alguns roteiros pra viver e se relacionar com as pessoas, mas até isso acontecer eu já tinha escrito uns 20 posts e estava gostando da brincadeira.
escrever aqui foi também uma maneira de manter contato com os queridos que estavam longe: aqueles que moram fora do Brasil e os amigos que eu andei evitando com vergonha de estar tão angustiada e achando que eu tinha pouco pra oferecer além das minhas minhocas.
depois, arranjei outras paixões, sobre as quais escrevi pouco, mas para quem escrevi muito- sempre na esperança de que haveria um happy end, de que vissem que eu não era só uma garota risonha e piadista ou sei lá mais o que. enfim, eu queria mostrar outros lados da lidimes.
no final das contas, essa experiência acabou sendo boa pra mim, porque eu também pude lembrar tudo o que eu era e estava sufocando, pude brincar mais e me reaproximar de algumas pessoas, lembrar de histórias e ver as coisas fazerem mais sentido.
e, mais do que isso, nesses seis meses de blog, eu percebi que eu não vou mais me desesperar e sair tropeçando por aí pra atender os pedidos desesperados dos homens por quem eu me apaixono, pra fazer com que gostem de mim. incorporar um papel que não me cabe, engolir o que não gosto? ah, tou fora.
sim, o amor, quando acontece, é lindo. admiro a Ermã e o Juan, os meus pais que estão juntos há 38 anos, o companheirismo que existe entre minha tia Odete e meu tio Valter, o marido da Leila que ajuda na troca das fraldas do João Pedro, a longa história da Moema e do Cacá, e confesso que não descartei o projeto de ter um partner nessa vida. mas o meu lema agora é esse: ou gostar é gostoso, ou então eu saio andando, como eu fiz no último domingo, sem muita cerimônia.
ah, e porque eu resolvi escrever isso? nem sei mais. mas nem tudo nessa vida tem um porquê tão claro. ainda mais pra mim, que costumo ter a vista meio embaçada.
ah, e se esse post soou como uma despedida, não se preocupem: estou mudando de emprego e enfrentando outras mudanças na vida, mas o blog eu não vou abandonar não. lidimes vai continuar contando, só não sei bem o que. histórias felizes, espero.
foi ótima. a ermã casou, encontramos os amigos, comemos, bebemos, dançamos, saracoteei e fotografei. e ainda ouvi do pai da érica a previsão de que logo encontrarei a minha tampa (mas não peguei o buquê da noiva).


e, pela primeira vez depois de dezenas de meses, ninguém me olhou com cara de pena ou preocupação. eu estava feliz de verdade.
estava não, estou. e é isso o que importa agora.
em dezembro de 2004, registrada pelo érico.




(esse post é para anunciar que, em dezembro de 2005, não participarei da festa dessa firma, já que estou de mudança para outra)
na água? restos de detergente nos copos? alguém cuspiu na jarra? tudo isso junto?
aaaargh. está impossível beber a água da firma hoje.
mais um sinal de que está na hora de mudar de emprego.
se eu acordar de novo com o pé esquerdo latejando tanto quanto hoje, vou revelar todas as paixões platônicas que me consomem.
mas a que eu tinha revelado aqui em cima eu apaguei, porque a coragem não é tanta e não há porque colocar lenha nessa fogueira.
os desejos não são ditos: eles aparecem escritos, são passados de mão em mão e nunca lidos em voz alta. sente-se os pés dos caminhantes pisando na estrada de terra, nas plantações de milho ou samambaia ou deslizando pelo asfalto molhado. ninguém tem fome, os beijos não são proibidos, há água em abundância, dos vestiários sai sempre um vapor de banho quente. na sala de espera do que parece ser um consultório, está o busto de uma mulher sem braço, com lábios carnudos, que fala muito, chora pouco e olha tensa para o sangue ao seu redor, para as ataduras de gaze, os esparadrapos e as comadres que se acumulam no chão, esperando uma enfermeira que possa limpar aquele lugar, que lhe traga de volta os braços e pernas, que faça estancar todo aquele sangue. a mulher mutilada olha às vezes para a rua, uma avenida de Recife por onde ônibus circulam freneticamente, ela gostaria de embarcar em algum deles, não importa o trajeto, ela gostaria de poder estender o braço para o ônibus parar, mostrar a palma da mão aberta e cheia de moedas para o cobrador, gostaria de ser inteira.
ela desvia o olhar para o boteco ao lado, as paredes verde água e os pedaços de carne espalhados em cima da mesa de sinuca, o balcão sendo lavado. ali, alguém ligou um rádio de pilha, ela não identifica a música, os sons são pouco familiares. naquele lugar de onde se vai até uma praça de Berlim e pega-se um avião para a China, de onde saem ônibus que passeiam por Porto Alegre e Strasbourg, onde os cachorros são mansos e há fontes em quase todas as esquinas, a mulher mutilada luta para não esquecer.
é essa agora:

estou viva e contente, digerindo alho e duas caipirinhas de frutas brasileiras. o vazamento deve ser consertado no final de semana e a casa será descupinizada dia 19 às 9 horas da manhã. minha irmã me visitou e jogou no lixo a barata morta que jazia ao lado do sofá. minha outra irmã me manda cartas diariamente, que eu encontro quando abro a porta vermelha. liguei a TV na tomada e pela primeira vez vi novela na casa da vila.
estou com sede, quero usar pérolas, esqueci o guarda-chuva no quintal.
alô juan, quando você volta a participar do meu blog?
e lidimes sonhando

e os cupins trabalhando

e lidimes pensando

e a água vazando

e lidimes sorrindo: o final vai ser feliz (figas, figas)

(um post com duas funções: compartilhar minhas mazelas domésticas e exibir meu cabelo novo)
o Landulfo é irmão da Nubia e os dois são sobrinhos do Alair. o José Carlos cuida da quitanda da cidade. o Derli cuida dos meus recibos. o Zarzeneu é pedreiro especialista em infiltrações. Salvador faz carretos a um bom preço. Naimor trabalha no pedágio da Dutra. Merquizedeque ganhou o Prêmio, Melquíades foi um dos meus melhores alunos. nas portarias dos prédios, eu sou Lidia.
a touca vermelha que eu vesti pra ir nadar. a conta no gmail. dois ingressos que ganhei numa promoção de rádio. contas e recibos organizados em pastas. fivelas compradas em São Carlos. o pote de ambrosia está ficando vazio.
perceber que do outro lado da rua, sempre tem alguém que se importa.
me embebedando à noite e tonta de dia, no rádio só ouço as notícias econômicas e a previsão do tempo, pouca música. quero ver o show do Naná, Tutu, o Allen está aqui e perguntou de você (que tal uma cerveja?), Tatá, vamos ou não? ontem eu ganhei banana nut crunch e vou guardar um pouco procê, Ermã, a tpm vai passar, essa não é a hora, o casório é quase amanhã. Ti, o seu experimento com scanner me fez lembrar da Laura Palmer de Twin Peaks. Tati, encontrei um amigo das antigas e convidei ele pra tomar chá e bordar, ele me disse que eu sempre fui tia. Camila, espero que sua mudança de casa e estado tenha sido tranquila, eu desejo me mudar. Alguém aí pode me ajudar a decidir se vou pra Porto Alegre? Carlinhos, eu quero cortar o cabelo e que você mexa na cor... ah, pra ele eu preciso telefonar.