Todo mundo precisa de uma dose diária de carinho.
E mais: bolo de aniversário, show do João Donato, elogios ao meu nome, elogios ao meu outlook, elogios às minhas caras.
"Você é sempre minha fonte de alegria, Ligia". E você tem sido a minha.
“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizado contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”
Genial, não?
Eu mudei de casa. Pra uma casa mesmo. E na casa tem uma lage, que é azul royal. E eu já coloquei na lage vários vasos de plantas que eu rego todas as noites antes de dormir. E eu quero pendurar a rede lá, pra ficar olhando as estrelas e um pedaço do pôr-do-sol e acompanhar os passarinhos voando (os mosquitinhos também).
Se tudo der certo, no segundo semestre, que é semana que vem, eu volto a desenhar. E aí eu vou desenhar na lage. E como na lage tem um tanque, eu posso tomar banho lá.
Então eu vou ser a eremita da lage.
I was blue, just as blue as I could be
Ev'ry day was a cloudy day for me
Then good luck came a-knocking at my door
Skies were gray but they're not gray anymore
Blue skies
Smiling at me
Nothing but blue skies
Do I see
Bluebirds
Singing a song
Nothing but bluebirds
All day long
Never saw the sun shining so bright
Never saw things going so right
Noticing the days hurrying by
Aí eu corto a música aqui porque eu não estou in love. Mas eu passei de um blue bem blues, bem cloudy, prum blue gostoso, de blue skies, blue skirt, bluebirds.
Nessa nova fase, parei de meditar. Agora só faço bolinhas de sabão. Tublé, tublin.
E daqui a pouco vou comprar dupla face pra colar o quadro dos dois passarinhos na porta vermelha da minha casa nova. Tublé, tublin.
Sabor de férias. Como é isso? Tem gosto de cachaça com mel, Seleta, maçãs anytime, chás de camomila e própolis, sopas quentes, chocolate Baton, churrasco e pão de queijo.
Cheiro de sanduíche de tostex, flor de laranjeira no quarto da casa nova, incenso de alho doce, ar puro da montanha, grama molhada, xampus novos, chuva na zona sul (ela tem um cheiro próprio), estrada de terra, asfalto, borracha queimada, Trident hortelã.
Hmm...tantas coisinhas gostosas. Estou feliz.
Amanhã eu viajo para a Serrinha, perto de Penedo, numa região que eu amo.
Um dia eu vou morar nas montanhas, ah vou.
Este é o meu horóscopo de hoje, mas suuuuper válido para a ermã:
Yes! Absolutely!! You'll accept gladly!!! Welcome the Sun to Leo, which declares that your passions, interests, amours, self-expression, joie de vivre, salmon fishing, and tomato plants must take precedence. So if having fun (and other pleasurable pursuits) conflicts with your existing obligations, exercise your ingenuity, be resourceful, and find ways to make room for it all.
Tons de beijocas!
Eu gosto de histórias que começam em noites frias. Essa começou há dois anos e resiste até hoje. Na verdade, começou antes, numa manhã de verão, dezembro, acho. Mas foi em julho, no final de semana mais frio daquele ano, que ela mudou de rumo. Foi um inverno bom, aquele. Um inverno de conversas, de falar francamente, de escutar bastante. (No frio, toma-se mais vinho, portanto fala-se mais abertamente, e mais verdades).
De lá pra cá, a história mudou de nome, de forma, ficou suspensa por um tempo, me deu raiva, me fez feliz, me deu raiva, me fez feliz. Hoje estou convivendo bem com ela, tranquilamente. É uma parte da minha vida que eu gosto, como meus pijamas, meus CDs, minhas canecas de chá, meus desenhos e até minhas loucurinhas.
Ontem eu tive uma noite fria deliciosa, regada a muitos crêpes, um pouquinho de vinho, papos e arpejos. Estou feliz. Mais aquecida.

Palestra no CEU da Vila Curuçá, último domingo à tarde, um frio de congelar os ossos. O começo foi bem estressante mas no final tudo correu bem, as pessoas se abriram, contaram suas histórias....e eu e a Bia retomamos a idéia de abrir a nossa ONG Fala Que Eu Te Escuto. As pessoas precisam ser ouvidas!
Se todas as pessoas tivessem diariamente um interlocutor por uns dez minutos que fosse, com certeza o mundo não teria tantos problemas.
Nem inha nem ona. A minha é uma vida.
Pra comemorar essa descoberta tardia, tomei ontem uma bela dose de Seleta, a melhor de todas. Com sopa de espinafre e legumes, pão quentinho e queijo ralado.
Os dias estão com sabor de férias: ontem vi um filme bem trash sobre um tal de Riddick, no cinema do shopping, com direito a Coca Cola e Sonho de Valsa. Hoje tem mais. E já adotei uma trilha sonora mais animada. E tem céu azul também, pra animar o pessoal.
Não, gata, eu não cortei o cabelo. O new hair resultou da combinação falta de lavagem e chuva e vento da zona sul paulistana, sacou? O cabelo ficou assim todo arrepiadinho pra cima. O boss disse que eu fiquei com cara de mais velha. A turma de casa achou moderno. Ficou bem parecido com o cabelo que me fizeram pra revista Criativa...você já viu?
Recado pra todos: continuo com o coração partido. Choro às vezes. Não compreendo. Me sinto uma idiota, porque suspeito de que eu possa ter ajudado a estragar a coisa. Ouço músicas deprês.
Mas logo logo vai passar. Tutu, estarei domingo no Balacobaco, viu? E quinta-feira também, se for rolar.
Amore, baby, benhê, eu fui a Barão Geraldo visitar nossa querida Vena. Eu não pretendo abandonar São Paulo não! Eu não troco o barulho e a confusão do Largo da Batata por nenhuma oportunidade de morar em bairro hippie!
Fazia dois anos que a gente não se via, mas parecia que fazia só um dia. O papo rolou gostoso, as fofocas saíram naturalmente, bebemos, comemos, rimos...foi tipo mais que demais, gato.
Ah, em tempo: eu tou fazendo pós aqui em SP, lá nas Perdizes.
Receita pra começar bem a semana: tomar um banho de chuva, temperatura beirando 10 graus. Me senti tão criança quanto as centenas delas que estavam atrás do Didi e da Angelica, se estapeando pra conseguir um autógrafo e uma foto, nem ligando pro frio, pra chuva, pra falta de agasalho (elas vestiam a camisetinha branca do projeto e nada mais).
Depois do banho, todos elogiaram meu novo cabelo. E tomei muito chá mate quente pra voltar a ser gente.
é pra lá que eu vou, em busca do tempo perdido. chega de me economizar, de ficar me dando em migalhas. eu não sou pão velho pra fazer isso, me esfarelar toda desse jeito.
Ontem à noite eu fiz uma coisa que eu não fazia há anos (uns 3, de verdade): fui a um bar na Vila Olímpia. Jerivá é o nome do dito, que o Rico escolheu pra fazer o happy hour de despedida dele da firrrrma.
Que lugar estranho! Ficamos todos no mezzanino, onde a iluminação é muito esquista e causadora de muita dor de cabeça. As luminárias têm uma forma meio de pimenta, as lâmpadas são fraquíssimas e as paredes são terracota. Ou seja, tudo super escuro. O som, no melhor estilo pop rock, estava num volume muito alto que obrigava todo mundo a gritar um pouco. E os petiscos? Caros e mornos. Uma coisa meio Fran´s Café, acho que eles deixam tudo semi pronto e só dão uma passadinha rápida no microondas. O pastel de queijo é sequinho e o queijo, delicioso, mas ele esfriou em um minuto. O bolinho de abóbora e carne seca já veio morno e não demorou cinco minutos pra ficar gelado.
Enfim, quatro porções e dois guaranás diets depois, debandamos dali, amando ainda mais os bares da Vila Madalena. Principalmente o Fili....
Não, não tou usando, não.
É só sentimento mesmo. Tudo coisa da cabeça, que eu resolvi deixar leve. Sem cortar cabelo, fazer duas sessões de terapia na semana ou procurar alguma ajuda espiritual.
É tudo uma questão de escolha: decidir sofrer menos, pensar menos, respirar mais, olhar mais por aí e distribuir sorrisos pro mundo todo.
Um sapato de salto também ajuda..
Acabo de passar por uma lavagem de cabelos matinal.
Shampoo, shampoo, esfregadinhas, condicionador, enxaguadinha e jato de água fria.
Saí de casa com os cabelos molhados, balançando ao vento, totalmente Sempre Livre.

Treat me mean and cruel, but love me...era assim que o Elvis cantava, e cantou nessa manhã na minha cozinha. A primeira música do CD que foi o começo de tudo e que, hoje, eu não só resolvi parar de ouvir (apertando STOP), como tirar definitivamente do meu aparelho. Eu estou precisando agora das minhas músicas, as animadinhas pra tomar banho, as incentivadoras pra fazer abdominal, e todas aquelas que fazem sentido pra mim- um sentido bom, de reconstrução, não de me afundar como eu vinha fazendo.
Isso é um fim? Não sei. Talvez seja só o rompimento de um ciclo, da repetição de modelos que não me cabem mais- e acho que esse, mais do que a possível (e iminente) rejeição, é meu incômodo maior. Estou percebendo que, mais do que ser amada (como fim último da minha existência nesse mundo, condição para a felicidade plena), eu quero é estar bem comigo, com essa cabeça que dá tantas voltas e às vezes parece um peru bêbado, conseguir desatar os nós e andar para a frente. Se isso significa abandonar o furúnculo, eu abandono mesmo. Confesso que às vezes me canso de ficar só abandonando, largando as coisas pra trás, mas acho que isso ainda é necessário pra me trazer leveza, pros meus pés poderem finalmente pisar em chão macio.
Anyway...o caminho se faz ao caminhar, não é mesmo? Ouvi essa frase em francês dias atrás e achei tão lindo, só não reproduzo aqui porque hoje estou pra falar português bem claro.
Ah, pra terminar: eu acho esse cara aí de cima meu par ideal.

Fico angustiada quando as coisas não fazem sentido nenhum. E sofro muito quando elas começam a fazer, porque é tão grande o sentimento de conexão com o universo inteiro que isso me sufoca. É um bliss que eleva e aperta. É um gozo.
Sexta-feira, feriado, muita coisa fez muito sentido. Muitas pessoas, daqui ou de lá, a comunidade, a minha presença, as línguas que eu falei e mesmo as doses de Maria Mole que acabei tomando num boteco de esquina entre a casa e o campinho de futebol.
Mas a verdade é que eu estava ali porque não estava suportando outros sentidos que descobri ultimamente (uma pele que cola na minha, um cheiro que combina com o meu, dois olhos nos quais eu tenho vontade de mergulhar porque apesar das máscaras eu vejo neles pureza) e, mais ainda, porque tudo isso ficou distante. E eu simplesmente não suporto isso.
Que esquenta a alma e leva embora as cracas, pelo menos por algumas horas.
Eu amo o meu sabonete líquido Palmolive Botanicals. Meus shampoos Johnsons. Eu amo minha toalha vermelha.
E, acima de tudo, eu amo sair do banho e colocar um cotonete em cada orelha pra sentir que estou realizando uma sessão de limpeza profunda.
Depois do gatorade-de-tangerina, me veio uma vontade incontrolável de tomar chá-mate-com-leite-em-pó(ninho)e-gotas-de-limão.
Hoje de tarde recebo Mrs Beveridge, fotógrafa londrina que me achou muito simpática.
By tea time, pretendo descobrir se tenho conserto ou se vou pro ferro-velho.
é uma boa dica pra fechar uma noite regada a chopp, cerveja, Coca light, peito de peru e muuuitas torradinhas com patê de atum.
o problema é o dia seguinte. ou seja, hoje.
agora mesmo.

Quand Ligia reviendra
Le soleil s´élèvera
Tous ces copines reviendra
Et les papillons volera
Quand Ligia reviendra
tout le monde sourira
(Mew, 9 anos, tentando se entender com a gramática francesa)
Cigana, desde o começo a nossa relação foi muito clara, quente e aberta. Você tem um coração generoso e por conta disso de vez em quando, para não sofrer muito, você se finge de brava. Felizmente eu percebi e você nunca me enganou.
(Mauricio, grande mestre, faleceu há 9 meses)
Nunão: quando eu te vi, fazendo a Família Feliz, toda quietinha, eu pensei que você era santa...isolada do mundo, etc...mas você é: legar (em homenagem ao nosso querido Dony), boa gente, especial, realmente diferente!
(Camila Prado, na época (quando nossa amizade tinha uns 9 meses) conhecida como Pradão)

Mr Thayer conta, por e-mail, que está cansado de comer feijão com arroz e ver posters do Che nos acampamentos do MST. Ele está com os companheiros há duas semanas e ainda fica mais uma, percorrendo os assentamentos do país. Quando ele voltar, vai ser um dos DJs da nossa festa de despedida da casa. Que, pelo que planejei com meu querido Rena, vai ser temática e cheia de velas. Ontem ficamos pensando nas músicas também. E olhando as fotos antigas das memoráveis festas a fantasia que frequentamos juntos, ficamos imaginando o look ideal pra essa festa, que deve acontecer no comecinho de agosto.
Hoje passei mais de 3 horas vendo apartamentos em casas na zona oeste. Gostei de um apê na rua Capital Federal, me espantei com uns muquifos da João Moura e berrei histericamente quando vi que um prédio maravilhoso da Mourato está pra alugar. Por dentro ele não é lá essas coisas e o proprietário não aceitou nossa proposta de preço, então seguimos buscando.
Amanhã: visita ao prédio da Lucia.
Quando eu tinha uns 13 anos e uma mente muito mais fantasiosa do que eu tenho hoje, eu ficava imaginando como seria viver na Idade Média. Mais do que imaginar, eu desejava muito que isso acontecesse, que eu fosse teletransportada pra algum castelo medieval (tinha que ser castelo, não uma simples cabana de agricultores- não que isso fizesse muita diferença, porque em nenhum dos dois lugares se usava talheres pra comer). Enquanto isso não acontecia, eu ficava ouvindo uns CDs de música medieval- tem um quarteto que é muito bacana, acho que é tcheco.
Um dia eu comprei um incenso de laranja e noz moscada, fui pro meu quarto, acendi um e coloquei um desses CDs. Fechei os olhos e lá fui eu pros salões de algum castelo...lembro dessa sensação até hoje, de estar flutuando em outro tempo e espaço.
Ontem à noite, depois de um dia cheio de angústia e alegrias, dúvidas e certezas, choro e riso, disco, funk e Minas, couve e cookies, coloquei um CD de canções seculares antes de dormir. Lá pela terceira música eu já estava muito, mas muito longe, acho que numa caravela. Embalada pela música e pelo mar, consegui encerrar meu domingo em paz.
É o dia depois da 5a, que costuma ser o dia da crise à noite. Muita angústia e uma vontade enorme de berrar, que eu sublimo aumentando em dois toques no botão o volume do que eu estiver ouvindo. Não sei por que, tem sido assim ultimamente. Vou dormir chorando e vociferando contra a minha própria pessoa.
Aí eu acordo leve no dia seguinte, com vontade de ouvir um CD inteiro antes de sair de casa. Hoje fiz uma escolha bem adolescente e (pesar de aparentar o contrário) animadinha: The Cure. O mais legal do CD é a última música: Friday I´m in love.
Tudo a ver.

Minha amiga Camila D, que está morando lá em Goleta, California, me conta que está fazendo jardinagem em casa e que cultiva brincos de princesa. Morri de inveja. Meu sonho é ter lá em casa um belo vaso dessa que é a flor oficial do Rio Grande do Sul .
No começo do ano eu comprei um lindo vaso no Ceasa, mas em duas semanas todas as flores caíram, as folhas secaram, o vaso foi pro lixo... foi triste.
Agora estamos comemorando os novos botões da flor de maio...acho que a casa vai ficar linda.
Então esse é o tal do post inaugural do meu quinquagésimo nono blog.
O de baixo não vale, foi escrito pela ermã, que de relapsa não tem nada. Aliás, gata, ontem eu estava no seu quarto e achei uma margarida que eu te dei quando a gente brigou feio e eu te chamei de inútil. ou de idiota. ou de sei lá o que. e você fechou a porta do quarto e não falou mais comigo. Aí eu comprei a margarida e deixei um bilhetinho junto com ela dizendo que eu não te achava inútil. ou idiota. ou sei lá o que. Se eu estivesse conseguindo postar imagens aqui, colocaria a foto de uma outra flor, com outro bilhetinho pra você, dizendo que não te acho relapsa. E agradecendo pelo blog. E pela foto amerela. A Lila amarela. Acho que eu colocaria uma flor amarela.
Finalmente minha irmã relapsa me deu de presente um blog. Demorou um século, mas finalmente vou poder soltar o verbo no ar :)
